Era Uma Vez em Hollywood


ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD, um lúdico e vingativo pot-pourri de velhos clichês e filmes hollywoodianos, faroestes sem lei, nazi-filmes, kung-fu, bangue-bangue e lança-chamas. Muito easter-egg, vendetas, referências e star-power. Também um pouco de ACOSSADO, de Pussy Cats, da efervescência hippie, festas na Playboy, Austin Power, dinamite e bigode moustache. Tarantino filma, então, a indústria no fim de uma era, presta homenagens, resgata seu cinema, explode alguma coisa, atira em outra… e isso, enquanto o homem pousa na Lua e outro conserta a antena do telhado.

Não é de todo novidade, o cineasta já nos contou essa mesma história em outros cenários, na Alemanha de BASTARDOS INGLÓRIOS, no velho oeste de DJANGO LIVRE, na mesma Califórnia de PULP FICTION. Mas aqui, especificamente, a ideia é reciclada e recontada em três fragmentos, parte dele num velho filme de faroeste, parte dele numa excursão em Los Angeles e a outra parte, a história de um ator de TV que está desaparecendo. E nesse liquidificador cinematográfico, lá em 1969, enquanto Leonardo DiCaprio pensa em sua existência, Brad Pitt zanza por aí, Margot Robbie vai ao cinema e Charles Manson… bem… esse é apenas um osso para o publico curioso e faminto, vemos senão, mais do mesmo, uma bagunça divertida, cheia de cenas “cool”, música pop e (auto) tributo ao próprio cinema.

Sim, muito funciona aqui, a técnica, a encenação, a paixão cinéfila, a velha experiencia gourmet de (re)viver uma nostálgica Hollywood, incluso a rádio e verve da época, tudo é palco para os personagens brilharem em sua química, para o mestre filmar em 70mm, 159 minutos de material, um filme de altos e baixos, encanto e desencanto e muitos momentos sagrados e tarantinescos de WTF! O resto, todavia, é o arco Manson-Polanski-Tate: de um filme que desde o título, evoca o conto de fadas, uma história fantástica, talvez uma reinvenção completa da própria História, nesse ponto específico, o filme não consegue se conectar ao todo. Aqui, ele destoa, perde o ritmo, se torna incongruente. A própria Margot se torna um OVNI nesse Buddy Movie. O final é um descarrilhamento, para o bem ou para o mal. Não é de todo ruim, longe disso, é a celebração do cinema acima de tudo. Ame ou deixe, estamos em Hollywood. E diante de um acontecimento trágico.

RATING: 80/100

TRAILER

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FILMES · CANNES · LOCARNO

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