O Termômetro da Croisette
Faltando pouco para o anúncio oficial da Seleção do Festival de Cannes, em 9 de abril, lançamos nossas apostas com o rigor que transformou o Spoiler em uma das vozes mais confiáveis no circuito de prognósticos. Como de costume, cruzamos informações de bastidores reportadas por veículos como Variety, Screen Daily, Trois Couleurs e Chaos Reign, além de rumores que circulam entre distribuidores e agentes de vendas. O resultado é um mapeamento que vai além do entusiasmo inicial para medir a real probabilidade de cada título integrar a programação, considerando fatores estruturais como equilíbrio geográfico, recorrência de cineastas na Croisette e a constante tensão entre nomes consagrados e estreantes.
Esse exercício exige certa contenção… o volume de filmes especulados, especialmente de cinematografias tradicionalmente fortes como a francesa, ultrapassa com folga o número de vagas disponíveis. Como apontam análises recorrentes da imprensa especializada, há anos em que mais de três dezenas de títulos franceses orbitam a seleção, embora apenas uma fração encontre seu espaço, seja na competição ou em mostras paralelas. Assim, nosso trabalho não é apenas listar as possibilidades, mas filtrar com base nos padrões históricos e movimentações recentes do mercado.
Outro eixo central, amplamente debatido em nossas previsões, é a presença de diretoras na competição. Após oscilações nos últimos anos, a curadoria liderada por Thierry Frémaux segue sob pressão para manter um equilíbrio mais consistente. A tendência, segundo o que se observa nas apostas internacionais, é de uma leve retomada, ainda que distante de um cenário plenamente equitativo. Isso impacta diretamente nomes que orbitam a seleção e, inevitavelmente, deixa à margem alguns cineastas recorrentes do circuito para sessões como a “Cannes Premiere”, por exemplo.

European Film Marketing, Berlinale 2026
A lógica se estende às demais seções. Em “Un Certain Regard”, o espaço para estreantes e segundos longas continua sendo peça-chave. Paralelamente, permanece o interesse do festival em ampliar sua cartografia cinematográfica, incorporando títulos de países historicamente sub-representados, uma diretriz já sinalizada em anos anteriores e que deve seguir influenciando a curadoria de 2026.
Por fim, nenhum prognóstico se sustenta sem considerar o mercado. A circulação de projetos no European Film Market e no Rendez-vous d’Unifrance, bem como sua vinculação a agentes de vendas e distribuidoras recorrentes, segue sendo um dos indicadores mais sólidos de seleção. Entre apostas seguras, incógnitas estratégicas e possíveis surpresas de última hora, é nesse terreno que construímos, mais uma vez, a nossa tradicional previsão, uma corrida de resistência crítica até a Croisette.

Os Fortes que Devem Ficar de Fora
Entre os títulos mais comentados nos bastidores há um grupo de projetos que, apesar do peso de seus realizadores, parecem improváveis para a seleção. Em alguns casos, a ausência se explica mais por decisões estratégicas: é o caso de A ODISSEIA, de Christopher Nolan, projeto já finalizado, mas direcionado a um lançamento global cuidadosamente orquestrado e fora do circuito de festivais. Outros ainda enfrentam limitações de calendário, como WERWULF, de Robert Eggers, que dificilmente estaria pronto a tempo da Croisette. Já PAPER TIGER, de James Gray, um veterano da Croisette, pode acabar deslocado por ajustes finos de montagem ou reposicionamento de calendário, mesmo caso de Martin McDonagh, que já levou OS BANSHEES DE INISHERIN e TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME e pode repetir o mesmo com WILD HORSE NINE. Outros títulos em dúvida de pós-produção incluem APRÈS, de Kirill Serebrennikov, presença frequente em Cannes, mas nem sempre alinhado ao timing ideal da seleção; DIGGER, de Alejandro González Iñárritu, que pode seguir para Veneza e THE LOST CHILDREN OF TUAM, de Frank Berry, que pode encontrar melhor ressonância em outros festivais ao longo do segundo semestre.

DIGGER . Alejandro González Iñárritu
Uma situação diferente, mas igualmente nebulosa, envolve DIA D, de Steven Spielberg, título cercado de mistério quanto ao argumento e com uma distribuidora aparentemente cautelosa em expor o projeto em uma vitrine tão específica. O mesmo ocorre com a Disney, que após o desempenho irregular de INDIANA JONES E A RELÍQUIA DO DESTINO, pode evitar a exposição precoce de TOY STORY 5.
Ainda nesse ponto, talvez o caso mais emblemático seja o de THE ENTERTAINMENT SYSTEM IS DOWN, de Ruben Östlund. Sendo uma figura central em Cannes, onde conquistou duas Palmas de Ouro (por THE SQUARE e TRIÂNGULO DA TRISTEZA), o sueco costuma trabalhar com intervalos mais longos e estratégias bem calculadas de lançamento. Tudo indica que seu novo filme pode estar sendo guardado para 2027, preservando não apenas o tempo de maturação da obra, mas também o impacto de um retorno à competição principal.

Filme de Abertura: Uma Equação Delicada
A corrida pelo filme de abertura, sempre uma engrenagem delicada entre prestígio, acessibilidade e logística de distribuição, parece, neste momento, girar em torno de dois títulos bastante distintos. De um lado, AMARGA NAVIDAD marcaria o retorno de Pedro Almodóvar à Croisette, um cineasta historicamente celebrado pelo festival e presença recorrente na competição e cujo fato de estrear previamente na Espanha pode facilitar sua escolha, uma vez que, como outrora em outras edições, uma première internacional ainda se encaixa nas regras da abertura, desde que acompanhada de um lançamento coordenado na França. Do outro lado, LA BATAILLE DE GAULLE: L’ÂGE DE FER, de Antonin Baudry, surge como uma alternativa estratégica: muito bem recebido no circuito de mercado e com apelo mais direto ao público local, o filme teria maior flexibilidade para alinhar sua estreia comercial francesa com a noite inaugural. No fim das contas, como dita a tradição, a escolha não passa apenas pelo peso autoral, mas simplesmente pela disposição das distribuidoras em sincronizar calendário com exposição, um fator frequentemente decisivo e, não raro, subestimado fora dos bastidores.

AMARGA NAVIDAD . Pedro Almodóvar

O Núcleo Duro da Competição
A competição deste ano, ao menos no papel, se desenha em um equilíbrio quase cirúrgico entre veteranos consagrados e uma curadoria atenta às dinâmicas recentes do mercado e circulação internacional. No topo das probabilidades, nomes como Cristian Mungiu (FJORD), Asghar Farhadi (HISTOIRES PARALLÈLES) e Ryûsuke Hamaguchi (SOUDAIN) surgem como presenças praticamente confirmadas: todos com histórico sólido em Cannes, seja de prêmios importantes à recorrência na competição e, talvez mais importante, associados a agentes de vendas altamente estratégicos como Goodfellas, Charades e NEON, que tradicionalmente orbitam o núcleo duro da seleção oficial. Essa tríade inicial já revela um padrão claro, donde o Festival continua sendo, em grande medida, um evento mediado por players recorrentes, responsáveis por boa parte dos títulos que chegam à disputa pela Palma.
Na sequência, o bloco europeu se fortalece com cineastas como Paweł Pawlikowski (1949), Rodrigo Sorogoyen (EL SER QUERIDO) e Arthur Harari (L’INCONNUE), além de uma presença feminina robusta que inclui nomes como a estreia de Judith Godrèche (MÉMOIRE DE FILLE), além de Nicole Garcia (MILO), Marie Kreutzer (GENTLE MONSTER) e Léa Mysius (HISTOIRES DE LA NUIT). Aqui, mais uma vez, o peso das distribuidoras locais – Studiocanal, mk2 Films e Pathé – aparece como fator determinante, reforçando a tradicional densidade francesa na competição. Ao mesmo tempo, a presença de Andrey Zvyagintsev (MINOTAUR), agora associado à mk2, indica uma possível volta de um dos autores mais prestigiados do festival após anos de hiato, o que, por si só, carrega forte apelo curatorial.

SOUDAIN . Ryûsuke Hamaguchi
Outro eixo interessante é o dos autores que orbitam Cannes com frequência, mas ainda negociam seu espaço dentro da competição principal. É o caso de Albert Serra (OUT OF THIS WORLD), Kantemir Balagov (BUTTERFLY JAM) e Lukas Dhont (COWARD), todos com trajetórias marcadas por passagens em seções paralelas, mas ainda em consolidação definitiva no topo da Croisette. A presença de GOODFELLAS e The Match Factory nesses títulos reforça a ideia de uma articulação cuidadosa para posicioná-los na competição, especialmente em um ano com forte concorrência europeia.
No campo mais autoral e, por vezes, imprevisível, surgem nomes como Nicolas Winding Refn (HER PRIVATE HELL), Na Hong-jin (HOPE) e Werner Herzog (BUCKING FASTARD), cineastas cuja relação com Cannes passa tanto por aclamação quanto por controvérsia. Refn, vencedor do prêmio de direção, é uma figura recorrente, mas irregular em termos de seleção; Herzog, por sua vez, mantém um prestígio quase institucional; enquanto Na Hong-jin representa uma possível aposta asiática de peso, ainda que menos previsível dentro da lógica do festival.

HOPE . Na Hong-jin
Já o bloco anglófono e americano traz um jogo mais estratégico. David Robert Mitchell tenta retornar após CORRENTE DO MAL e UNDER THE SILVER LAKE, agora com THE END OF OAK STREET, enquanto Terrence Malick permanece como uma incógnita (eterna?), sim, um autor reverenciado, vencedor da Palma por A ÁRVORE DA VIDA, mas cuja pós-produção de THE WAY OF THE WIND desafia qualquer lógica. A possível presença de JACK OF SPADES, de Joel Coen, agora em carreira solo após sua histórica relação com Cannes ao lado do irmão, adiciona outro elemento de prestígio, ainda que cercado de incertezas quanto ao timing e posicionamento do projeto.
Por fim, a competição se abre para geografias cada vez mais diversas, com títulos vindos da China – como os projetos de Gu Xiaodong (THE FIRST TASTE OF LONELINESS) e Jia Zhangke, este último em um provável projeto secreto que se comenta desde o ano passado. Há ainda nomes como a tunisiana Kaouther Ben Hania (MIMESIS) e do japonês Hirokazu Kore-eda (SHEEP IN THE BOX), outro nome já laureado com a Palma de Ouro.

América Latina em Destaque (Ou não…)
No recorte latino-americano, o cenário se desenha menos como presença garantida na competição e mais como uma disputa por espaço nas seções paralelas, ainda que com alguns títulos capazes de surpreender. O Brasil, em particular, surge com um volume e diversidade raramente vistos nos últimos anos. NOVA ÉDEN, de Aly Muritiba, e GENI E O ZEPELIM, de Anna Muylaert, aparecem como apostas fortes no circuito. Anna, aliás, pelo potencial de circulação internacional e, desde já, esperança como possível candidata brasileira ao Oscar 2027. Já OS CORRETORES, de Andrucha Waddington, carrega um elemento adicional de visibilidade com a presença de Fernanda Torres no elenco e roteiro, um fator que, no ecossistema de Cannes, pode ser decisivo para alavancar o interesse da curadoria e imprensa. Completa o bloco brasileiro a coprodução franco-brasileira LEILA ET LA NUIT, de Fellipe Barbosa, que, justamente por essa ponte com a França, pode encontrar um caminho mais facilitado dentro de alguma sessão.

LEILA ET LA NUIT . Fellipe Barbosa
No restante da América Latina, o panorama segue igualmente competitivo, mas majoritariamente direcionado a “Un Certain Regard”, Quinzena ou Semana da Crítica. A Argentina surge com LA LIBERTAD DOBLE, de Lisandro Alonso, um nome já consolidado na Croisette e sempre capaz de atravessar para a competição dependendo da recepção interna. Do México, dois pesos pesados chamam atenção: CIRCLES, de Michel Franco, figura recorrente no festival, e ESTELA DE SOMBRA, de Carlos Reygadas – ambos com histórico suficiente para pleitear algo maior, seja na competição ou em uma Cannes Premiere estratégica. Já REPTILIA, de Alejandro Landes, pela Colômbia, mantém o diretor no radar após o impacto de MONOS. Outros títulos reforçam a amplitude geográfica da região, ainda que com posicionamento mais provável fora da competição principal: MADRE PÁJARO, de Sofia Quirós (Costa Rica), IMPUNITÉ, de Felipe Gálvez Haberle, e EL DESHIELO, de Manuela Martelli (ambos do Chile), além de BREAKAWAY, de Marcel Rasquin.

O grande volume fora da competição
E mais… um vasto contingente de títulos que orbitam a seleção e ajudam a compor o ecossistema mais amplo, um território onde prestígio autoral, força de mercado e apostas curatoriais se entrelaçam de maneira menos previsível. Entre os nomes de maior peso, chama atenção o retorno de Agnieszka Holland com HOT SPOT, além de projetos de cineastas já bem estabelecidos no circuito como Felix Van Groeningen, Quentin Dupieux e Guillaume Canet. No eixo asiático, dois nomes veteranos da Croisette se destacam: Takashi Miike e Kiyoshi Kurosawa, ambos com novos trabalhos que podem tanto reforçar a presença japonesa na seleção quanto opção de mostras paralelas, dependendo do tom final das obras.
Há também um conjunto expressivo de cineastas contemporâneos em consolidação, muitos deles já com passagem por Cannes, que surgem como apostas naturais para “Un Certain Regard” ou mesmo Cannes Premiere. É o caso de Jane Schoenbrun, Yann Gonzalez, Marine Atlan e Stéphane Brizé, além de nomes escandinavos como Amanda Kernell e Pernille Fischer Christensen.

SHEEP IN THE BOX . Hirokazu Koreeda
No cinema americano, o cenário é particularmente fragmentado, com opções de autores independentes e projetos de estúdio buscando espaço. Trabalhos de Cary Fukunaga, Kornél Mundruczó (em produção internacional), Michael Sarnoski e Paul Schrader aparecem como possibilidades reais, enquanto nomes como Lynne Ramsay – sempre muito associada à Cannes – e Jérémy Saulnier reforçam o eixo autoral anglófono. A presença recorrente da A24 e de players como Focus Features e Searchlight Pictures indica, mais uma vez, como o festival continua dependente de um grupo relativamente estável de distribuidores internacionais.
Na França, como esperado, o volume é avassalador. De veteranos como Bruno Dumont e Christophe Honoré a nomes mais recentes como Mia Hansen-Løve e Mikhaël Hers, passando ainda por projetos de Quentin Dupieux e Guillaume Canet, a disputa interna por vagas é, como sempre, feroz. Mesmo títulos com forte apelo comercial ou autoral podem acabar deslocados simplesmente pela limitação de espaço, um reflexo direto da centralidade da produção francesa

THE FIRST TASTE OF LONELINESS . Gu Xiaodong
Por outro lado, a diversidade geográfica se mantém como um dos pilares da curadoria contemporânea. Projetos vindos do Oriente Médio e Norte da África, como os de Maha Haj e Mohamed Diab, do sudeste asiático com Lav Diaz, ou ainda de cinematografias menos representadas como Indonésia e Afeganistão, reforçam essa tentativa de expansão do mapa do festival. Ao mesmo tempo, cineastas consagrados como Marco Bellocchio e Fatih Akin seguem como presenças possíveis, ainda que não garantidas.
No fim, essa extensa lista de títulos evidencia o que Cannes faz de melhor e de mais frustrante: a construção de uma seleção que é, inevitavelmente, tanto uma celebração quanto uma exclusão. Para cada nome confirmado, há uma dezena de projetos viáveis que ficam pelo caminho ou seguem adiante, seja por estratégia, timing ou simplesmente pela impossibilidade matemática de acomodar tantas vozes em uma única edição.

Vale lembrar que a lista abaixo, por enquanto é mera especulação e o post será constantemente atualizado conforme saem notícias e confirmação de títulos. Para uma fácil leitura, identificamos cada filme com sua respectiva bandeira, além de sinalizar se foi dirigido por mulher (♀️), se é um filme de estreia (🎥), documentário (📄), animação (🖼️), musical (🎵) ou de temática LGBT (🏳️🌈). Os títulos – que sabemos – confirmados estão marcados com um 🔒 e filmes que ainda são dúvida, se estão prontos ou não, rejeitados ou reservados para outros festivais, esses aparecem com o emoji 🤔.

79º Festival de Cannes
*** Apostas atualizadas em 22.03.25***
Filme de Abertura | Cannes 2025
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
AMARGA NAVIDAD . Pedro Almodóvar 🇪🇸
LA BATAILLE DE GAULLE: L’ÂGE DE FER . Antonin Baudry 🇫🇷
Competição | Cannes 2026
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
HISTOIRES PARALLÈLES . Asghar Farhadi 🇫🇷 🔒
SOUDAIN . Ryûsuke Hamaguchi 🇯🇵 🔒
FJORD . Cristian Mungiu 🇷🇴
MILO . Nicole Garcia 🇫🇷 ♀️
EL SER QUERIDO . Rodrigo Sorogoyen 🇪🇸
OUT OF THIS WORLD . Albert Serra 🇪🇸
L’INCONNUE . Arthur Harari 🇫🇷
MINOTAUR . Andrey Zvyagintsev 🇱🇻
1949 . Paweł Pawlikowski 🇵🇱
GENTLE MONSTER . Marie Kreutzer 🇫🇷 ♀️
HISTOIRES DE LA NUIT . Léa Mysius 🇫🇷 ♀️
MIMESIS . Kaouther Ben Hadia 🇹🇳 ♀️
COWARD . Lukas Dhont 🇧🇪
HOPE . Na Hong-jin 🇰🇷
HER PRIVATE HELL . Nicolas Winding Refn 🇩🇰
AMARGA NAVIDAD . Pedro Almodóvar 🇪🇸
BUTTERFLY JAM . Kantemir Balagov 🇫🇷
SHEEP IN THE BOX . Hirokazu Koreeda 🇯🇵
BUCKING FASTARD . Werner Herzog 🇺🇸
SUCCEDERÀ QUESTA NOTTE . Nanni Moretti 🇮🇹
I SEE BUILDINGS FALL LIKE LIGHTNING . Clio Barnard 🇬🇧
THE FIRST TASTE OF LONELINESS . Gu Xiaodong 🇨🇳
THE END OF OAK STREET . David Robert Mitchell 🇺🇸
JACK OF SPADES . Joel Coen 🇺🇸
runner ups | Competição/Cannes Premiere
THE WAY OF THE WIND . Terrence Malick 🇺🇸 🤔
DIGGER . Alejandro González Iñárritu 🇺🇸 🤔
HOT SPOT . Agnieszka Holland 🇵🇱 ♀️
LET LOVE IN . Felix Van Groeningen 🇧🇪
BAD LIEUTENANT: TOKYO . Takashi Miike 🇯🇵
KOKUROJO: THE SAMURAI AND THE PRISONER . Kiyoshi Kurosawa 🇯🇵
UNTITLED PROJECT . Jia Zhangke 🇨🇳 🤔

Outras Possibilidades
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
FULL PHIL . Quentin Dupieux 🇫🇷
KARMA . Guillaume Canet 🇫🇷
BRACE YOUR HEART . Amanda Kernell 🇸🇪
COLONY . Yeon Sang-ho 🇰🇷
J’OUBLIERAI TON NOM . Yann Gonzalez 🇫🇷
UN BON PETIT SOLDAT . Stephane Brizé 🇫🇷
CHORK . Shane Meadows 🇬🇧
UNRAVELED . Pernille Fischer Christensen 🇩🇰 ♀️
GARANCE . Jeanne Herry 🇫🇷 ♀️
IF LOVE SHOULD DIE . Mia Hansen-Løve 🇫🇷 ♀️
SWEET MILK LAKE . Harvey Zielinski 🇦🇺
POSSIBLE LOVE . Lee Chang-dong 🇰🇷
ALPHA GANG . David & Nathan Zellner 🇺🇸
BEING HEUMANN . Sian Heder 🇺🇸
BLOOD ON SNOW . Cary Fukunaga 🇺🇸
PLACE TO BE . Kornél Mundruczó 🇺🇸
THE DEATH OF ROBIN HOOD . Michael Sarnoski 🇺🇸
THE TIGER . Myroslav Slaboshpytskyi 🇺🇸
A PLACE TO HEAL . Cédric Kahn 🇫🇷
LA CHALEUR . Stéphane Demoustier 🇫🇷
LEILA ET LA NUIT . Fellipe Barbosa 🇫🇷
LES ROCHES ROUGES . Bruno Dumont 🇫🇷
MARIAGE AU GOÛT D’ORANGE . Christophe Honoré 🇫🇷
NOTRE SALUT . Emmanuel Marre 🇫🇷
ROMA ELASTICA . Bertrand Mandico 🇫🇷
UNE AUTRE HISTOIRE . Mikhaël Hers 🇫🇷
LOOK BACK . Hirokazu Koreeda 🇯🇵
CIRCLES . Michel Franco 🇲🇽
ESTELA DE SOMBRA . Carlos Reygadas 🇲🇽
TRINITY . Boo Junfeng 🇹🇼
INK . Danny Boyle 🇬🇧
CALL ME QUEEN . Emily Atef 🇩🇪 ♀️
THE DREAMED ADVENTURE . Valeska Grisebach 🇩🇪 ♀️
POLARIS . Lynne Ramsay 🇺🇸 ♀️
THE SOAP MAKER . Claire Denis 🇫🇷 ♀️
AREF . Camille Vidal-Naquet 🇫🇷 ♀️
BLOODY TENNIS . Nikias Chryssos 🇩🇪
LES DERNIERS JOURS DE R.M. . Amin Sidi-Boumédiène 🇩🇿
DISTANZEN . Ulrich Seidl 🇦🇹
LE FAUX SOIR . Michaël R. Roskam 🇧🇪
NOVA ÉDEN . Aly Muritiba 🇧🇷
NOVEMBER 1963 . Roland Joffé 🇨🇦
REPTILIA . Alejandro Landes 🇨🇴
BASICS OF PHILOSOPHY . Paul Schrader 🇺🇸
EVIL DEAD BURN . Sebastien Vanicek 🇺🇸
GOLIATH . Lorcan Finnegan 🇺🇸
OCTOBER . Jérémy Saulnier 🇺🇸
RIVERRUN . Philippe Parreno 🇺🇸
THE CHAPERONES . India Donaldson 🇺🇸
VICTORIAN PSYCHO . Zachary Wigon 🇺🇸
BANQUISE . Emmanuel Courcol 🇫🇷
CHERCHER LA FILLE . Thomas Salvador 🇫🇷
DEMAIN, JE TOMBE AMOUREUX . Martin Provost 🇫🇷
DES FEMMES COMME LES AUTRES . Dominique Cabrera 🇫🇷
GISÈLE: AU NOM DE TOUTES . Lauriane Escaffre & Yvo Muller 🇫🇷
LA VÉNUS ÉLECTRIQUE . Pierre Salvadori 🇫🇷
MOULIN . László Nemes 🇫🇷
UNE NUIT . Daniel Auteuil 🇫🇷
FUXI: JOY IN FOUR CHAPTERS . Qiu Jiongjiong 🇭🇰
THE SEA SPEAKS HIS NAME . Yosep Anggi Noen 🇮🇩
FALCON . Marco Bellocchio 🇮🇹
I DON´T KNOW YOU . Ryôta Nakano 🇯🇵
BELOVED . Erik Poppe 🇳🇴
SPIDER ISLAND . Christopher Smith 🇬🇧
THE DUCHESS AND I . Mike Newell 🇬🇧
THE MAN I LOVE . Ira Sachs 🇺🇸 🏳️🌈
GENI E O ZEPELIM . Anna Muylaert 🇧🇷 ♀️
DA MAGIA À SEDUÇÃO 2 . Susanne Bier 🇺🇸 ♀️
THE ROOTS MANŒUVRE . Raine Allen-Miller 🇺🇸 ♀️
FOUR SEASONS IN JAVA . Kamila Andini 🇮🇩 ♀️
GEISTER . Fatih Akin 🇩🇪
LA LIBERTAD DOBLE . Lisandro Alonso 🇦🇷
OS CORRETORES . Andrucha Waddington 🇧🇷
A RIMBAUD . Patrick Wang 🇨🇦
ASAD . Mohamed Diab 🇪🇬
FAMOUS . Jody Hill 🇺🇸
GOLDEN . Michel Gondry 🇺🇸
THE FACE OF HORROR . Anna Biller 🇺🇸
THE HOLE . Kim Jee-woon 🇺🇸
TONY . Matt Johnson 🇺🇸
KAWALAN . Lav Diaz 🇵🇭
SWITZERLAND . Anton Corbijn 🇨🇭
THE IDIOTS . Małgorzata Szumowska & Michał Englert 🇬🇧

Cineastas Estreantes
Sessões “Un Certain Regard”, Quinzena dos Cineastas e/ou Semana da Crítica
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
STRAWBERRIES . Laïla Marrakchi Lucky Number 🇲🇦 ♀️
LA GRADIVA . Marine Atlan mk2 Films 🇫🇷 ♀️ 🎥
TEENAGE SEX AND DEATH AT CAMP MIASMA . Jane Schoenbrun 🇺🇸 ♀️ 🏳️🌈
WOMAN, UNKNOWN . May el-Toukhy TrustNordisk 🇩🇰 ♀️
LA BOLA NEGRA . Javier Ambrossi & Javier Calvo Goodfellas 🇪🇸 🏳️🌈
L’ÂGE D’OR . Bérenger Thouin 🇫🇷 ♀️ 🎥
LE TRIANGLE D’OR . Hélène Rosselet-Ruiz 🇫🇷 ♀️ 🎥
SHANA . Lila Pinell 🇫🇷 ♀️ 🎥
SWEETSICK . Alice Birch Searchlight Pictures 🇬🇧 ♀️ 🎥
THE WOLF WILL TEAR YOUR IMMACULATE HANDS . Nathalie Alvarez Mesen 🇸🇪 ♀️
IT’S ALL GOING VERY WELL NO PROBLEMS AT ALL . Tilda Cobham-Hervey 🇦🇺 🎥
FIEF . Thomas Vernay BFF 🇫🇷 🎥
JUPITER . Alexandre Smia 🇫🇷 🎥
SAFE EXIT . Mohammed Hammad Mad Solutions 🇪🇬
UNTITLED MUSICAL COMEDY . Jesse Eisenberg 🇺🇸
LES CLOCHETTES DE KABOUL . Chabname Zariab 🇦🇫 ♀️ 🎥
ANCIENT HISTORY . Annie Baker 🇺🇸 ♀️
LA VIE D’UNE FEMME . Charline Bourgeois-Tacquet 🇫🇷 ♀️
A GIRL MADE OF DUST . Hiam Abbass Les Films du Losange 🇮🇱 ♀️
THE MAN WHO COULD HAVE CHANGED THE WORLD . Anne Paulicevich 🇮🇹 ♀️
DUA . Blerta Basholli 🇽🇰 ♀️
BLOODSUCKERS . Elin Grönblom Charades 🇸🇪 ♀️
LOVE IS NOT THE ANSWER . Michael Cera 🇺🇸 🎥
VAGABONDS . Amartei Armar 🇬🇭 🎥
WOLVES . Rami Kodeih 🇱🇧 🎥
9 TEMPLES TO HEAVEN . Sompot Chidgasornpongse 🇹🇭 🎥
IMPUNITÉ . Felipe Gálvez Haberle 🇨🇱
THE GOVERNESSES . Joe Talbot 🇺🇸
PETRICHOR . Marco Perego Goodfellas 🇮🇹
BREAKAWAY . Marcel Rasquin Goodfellas 🇻🇪
MADRE PÁJARO . Sofia Quirós 🇨🇷
ORIENT ADAGIO . Maha Haj 🇵🇸
WEIRD ELLIOT . Johannes Nyholm 🇸🇪
ARRESTED MEMORY . Sabu 🇹🇼
THE AGE OF GOODBYES . Edmund Yeo 🇹🇼
THE END OF IT . Maria Martinez Bayona 🇪🇸 ♀️ 🎥
EL DESHIELO . Manuela Martelli 🇨🇱 ♀️
BRIDES . Chloe Okuno 🇺🇸 ♀️
PEACHES . Jenny Suen 🇭🇰 ♀️
TITANIC OCEAN . Konstantina Kotzamani 🇯🇵 ♀️
SENSE & SENSIBILITY . Georgia Oakley 🇺🇸 ♀️
HAUTEFAYE . Vincent Le Port 🇫🇷

Documentários, Animações & Sessões Especiais
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
DON’T LET THE SUN COME UP ON ME . Asmae El Moudir Autlook Filmsales 🇲🇦 ♀️ 📄
OUTFOXED! . Paul Bolger 🇮🇪 🖼️
WE ARE ALIENS . Kohei Kadowaki Charades 🇯🇵 🎥 🖼️
IN WAVES . Phuong Mai Nguyen Charades 🇧🇪 🖼️
EVEREST NORTH . Elizabeth Chai Vasarhelyi &, Jimmy Chin National Geographic 🇺🇸 📄
IMPÉRIO . Sergey Loznitsa 🇺🇦 📄
LE CORSET . Louis Clichy 🇫🇷 🖼️
MANO NEGRA: BRING THE NOISE! . David Dufresne Goodfellas 🇫🇷 📄
THE STORY OF DOCUMENTARY FILM . Mark Cousins 🇬🇧 📄
EARTH CAMP ONE . Jennie Livingston 🇺🇸 ♀️ 📄
MY UNDESIRABLE FRIENDS: PART II – EXILE . Julia Loktev 🇺🇸 ♀️ 📄
CLENCHED FISTS . David Nicolas Parel 🇨🇭 📄

Dúvidas para Cannes 2026
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
DIA D . Steven Spielberg 🇺🇸 🤔
PAPER TIGER . James Gray 🇺🇸 🤔
THE ENTERTAINMENT SYSTEM IS DOWN . Ruben Östlund 🇸🇪 🤔
TOXIC . Jessica Hausner 🇦🇹 ♀️ 🤔
CHANGER L’EAU DES FLEURS . Jean-Pierre Jeunet 🇫🇷 🤔
HERE COMES THE FLOOD . Fernando Meirelles 🇺🇸 🤔
THE ADVENTURES OF CLIFF BOOTH . David Fincher 🇺🇸 🤔
TOY STORY 5 . Andrew Stanton 🇺🇸 🤔
WERWULF . Robert Eggers 🇺🇸 🤔
APRÈS . Kirill Serebrennikov 🇫🇷 🤔
THE LOST CHILDREN OF TUAM . Frank Berry 🇮🇪 🤔
A LONG WINTER . Andrew Haigh 🇬🇧 🤔
WILD HORSE NINE . Martin McDonagh 🇬🇧 🤔
THE ODYSSEY . Christopher Nolan 🇺🇸 🤔
DEEP CUTS . Sean Durkin 🇺🇸 🤔
LES MISÉRABLES . Fred Cavayé 🇫🇷 🤔
UNTITLED FILM . Mike Leigh 🇬🇧 🤔
Pela Redação do Spoiler Movies. Matéria de Mauricio Ribeiro
