Como Nossos Pais

COMO NOSSOS PAIS


COMO NOSSOS PAIS (2017)COMO NOSSOS PAIS abre em família e se discute em família: Da panela de ferro no fogo ao típico almoço de Domingo, mãe, filhos, netos, nora e genro, vão aos poucos se desenhando, enquanto as crianças e os pratos vão e vêm. Em mesa, se serve o stress, algumas verdades, um pouco de discussão, enquanto a tormenta chega com tudo. E não no jardim, mas na cozinha, lavando a louça suja e vociferando verdades. Ali, nessa mesa, local de convivência, almoço e jantar, lição de casa e livro de receitas, é dali, ao centro, que parte o filme de Laís Bodanzky e o cenário para centenas de histórias, a nossa inclusive.

E “como nossos pais”, a cineasta nos educa e nos abraça. O faz através de Maria Ribeiro, em cena como Rose, a filha desdenhada, a esposa estafada, a profissional amargurada, vivendo seu pequeno conto na “Casa de Bonecas”. Uma mulher encurralada, apenas sobrevivendo ao mundo e sem qualquer prazer. Com todos. Com os homens principalmente.

E Laís, sob o mundo e a voz de sua personagem, também grita suas verdades. Um episódio recifense sobre o protagonismo masculino logo se torna um belo diálogo sob homens primitivos ou objetos de sedução. Em cena, todos os homens são surreais, caricaturas do seu pior, o pai bon-vivant, o pai bom moço, o pai ausente, o pai machista, homens em busca de sexo e do umbigo, mero bibelôs para que a protagonista brilhe em sua trajetória pessoal, nessa busca, não por azulejos perfeitos, um pouco mais de sono ou alguém que lhe ajude a lavar a louça, mas pelos mesmos direitos e oportunidades.

Da tempestade que marca a primeira cena, as nuvens (pretas) permanecem durante toda a projeção. Não há Sol nesse filme, apenas a protagonista em busca de seu Sol, ou as verdades que ela mal sabe explicar (ou lidar). E fica pior… “Havia duas histórias a serem contadas naquele dia. Só foi contada uma”. Então, o filme se torce um pouco mais, se torna mais intenso, outra mulher ganha fôlego, essa mãe, amiga ou companheira. Ambas nos amarrando nesses laços de história. O suficiente para nós deixar com um nó na garganta durante a execução da antológica canção de Elis Regina. Sem palavras. Apenas a melodia. Uma bela cena. Um belo filme que, de tão familiar, nos deixa saudade.

RATING: 78/100

TRAILER

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BERLIM · FILMES

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