Paterson

PATERSON


PATERSON começa sonolento, como um sonho, tudo muito quieto, tranquilo, bucólico. O protagonista acorda ao lado da mulher, são 6h15. Seu café da manhã é sucrilhos. Uma caixinha de fósforos lhe desperta o interesse. Logo, pelo caminho, por essa bela cidade, ele pensa e escreve um poema ao volante. O ônibus parte, os passageiros sobem e descem, vem e vão, como as horas vão e vem. A projeção segue seu curso. É segunda feira.

O roteiro é nada, são os dias, as horas, a rotina, senão a comedia da vida privada, de Paterson, na cidade de PATERSON, nesse filme de Jim Jarmusch. O expediente termina. Ele volta para a casa, a poesia na cabeça, a esposa cheia de alegria lhe esperando. De noite, ele sai com seu buldogue para passear, espairecer, talvez tomar uma cerveja. Que dia. Que glorioso dia.

Corte. É terça feira. Outro dia. Ele acorda abraçado da esposa. Come sucrilhos. Pensa nos fósforos e em outro poema. Jim Jarmusch os escreve diretamente na película. Diante dessa cidade-paraíso, da promessa de um novo dia. No ônibus, mais passageiros, outras histórias e novos rostos. O poeta-motorista pensa em 3D, comprimento, altura, largura, logo nos apresenta uma outra dimensão, o tempo. Haveria outras? Uma quinta? Uma sexta? Uma sétima? A esposa lhe interrompe. Quer conversar.

Outro dia… Quarta? Quinta? Não importa… Nesse eterno dia da marmota, o cineasta filma em minucias, cada respiro, cada detalhe, a plenitude, a casa do artista, a textura, os quadros. Ali, se confeita um cupcake, brinca com o buldogue, experimenta uma receita secreta. Outro poema e mais um dia. O tempo é eterno. Um filme que se escuta de ouvido, repleto de cheiros e sabores. Inebriante. Solar. Encantador. A semana se desfolha, o caderno se preenche de palavras, o público se sente hipnotizado por Adam Driver, o gondoleiro desse filme espetáculo, pelo qual orbita um road-movie de sensações, o jogo minimalista de vazio e abstração e tudo ao som de Cluster & Eno. Esse é o espirito. A sinfonia. Puro cinema (ou poesia).

RATING: 82/100

TRAILER

Article Categories:
CANNES · FILMES · MOSTRA SP · TIFF

Comments

  • Só tenho lido comentários positivos sobre este filme. Espero ter a oportunidade para assistir.

    Cinéfila por Natureza 23 de abril de 2017 11:33 Responder

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