Capitão Fantástico

CAPTAIN FANTASTIC


Em algum refugio, numa floresta remota, um pai ferozmente independente cria sua família às margens da sociedade e do consumo. E, NA NATUREZA SELVAGEM, no meio do nada, sem televisão ou acesso a quaisquer tecnologias, e diante dos ensinamentos rigorosos e exercícios intensos, esse CAPITÃO FANTASTICO molda sua “tribo” de pequenos filósofos com extraordinário físico, resistência e conhecimento, tão incomuns nessa idade, mas fruto de um estilo de vida alternativo. Seria melhor? Pior? Cabe a Matt Ross especular em seu filme, senão suas próprias experiências de infância, uma aventura, um drama, para nós, um deleite.

Uma espécie de Éden rural, extremamente emocionante, pungente e divertido, donde Viggo Mortensen capitaneia esse elenco com certo calor, uma energia especial, senão a de um pai querendo o melhor para seus filhos, de um ator experiente querendo o melhor para os mais jovens. E, em família – digo os personagens, o diretor, o publico -, todos embarcam nesse modo de viver tão diferente, na escalada, na caça, nas artes marciais, no tiro com arco, também nos livros, nos estudos e linguajar. Algo fascinante, diria hipnotizante, e sim, que se dedilha no puro entretenimento, literalmente.

Na tela, nesse “filme-acampamento”, Mortensen é uma rocha indestrutível. O centro de todas as coisas e pelo qual orbita o filme e os seis filhos, a natureza, o Sol, a comunhão, o cosmos, todos vivendo da terra, da terra sobrevivendo, num idílio hippie, ou num mundo a parte. Sem nada e, mesmo assim, com o suficiente. E por essa abordagem, tantas reflexões, filosofia, ciência e sexualidade, ali no cantinho do paraíso para logo seguir o destino, uma vaga lembrança que morre lá longe e além, também um Road-movie, o choque de dois mundos e gerações. Encantador. Inspirador. E de volta à civilização, um toque de PEQUENA MISS SUNSHINE e voilá: Uma pequena odisseia, um respiro, todo esse carisma, um filme radical, essencialmente indie, que nos arrebata e nos deixa com um leve sorriso no rosto. Como a brisa da manhã ou um banho de rio. Não precisa muito mais…

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Mars Films, incluso a entrevista de Matt Ross
RATING: 74/100

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CANNES · FILMES · RIO · SUNDANCE

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