Plaire, Aimer et Courir Vite

SORRY ANGEL


Um primeiro amor. Um último amor… uma canção de morte, uma canção de vida, e isso através de uma história única, a de Vincent Lacoste e Pierre Deladonchamps, um estudante provincial e um moribundo escritor. São, portanto, momento e renúncia, os primórdios e a despedida. Há uma certa urgência aqui, um pouco de melancolia nesse filme, então não se engane, “PLAIRE, AIMER ET COURIR VITE”, porque Christophe Honoré retoma suas CANÇÕES DE AMOR numa balada triste, revivendo em seus atores, as suas próprias facetas, o antes e o depois, a rebeldia de 10 anos atrás EM PARIS e a maturidade do agora, de sua carreira, e sempre relembrando velhos amigos, aqueles que se foram, lhe deixaram, velhos fantasmas que o abandonaram. Sim, goste (ou não), ame (ou não) e depressa porque o tempo é finito.

Portanto, um filme de expectativas que paira sob o medo da AIDS. O ano é 1993, um tempo negro para a cultura LGBT. E é nessa melancolia, nas incertezas, nos desejos e medos de uma geração, que o cineasta filma os efeitos opostos do amor. E o faz na cota do melodrama, seja no romance impossível, seja na vida impossível. Honoré, depois de algumas adaptações, retoma o conto em primeira pessoa, uma história (extremamente) pessoal, lembranças de Hervé Guibert, Bernard-Marie Koltès, Pier Vittorio Tondelli, Jean-Luc Lagarce… todos escritores que se foram pela AIDS. Seu alter-ego se divide em dois protagonistas, um mais jovem para o qual o outro é um modelo, uma aspiração, e outro mais velho, donde o outro é uma evocação da própria juventude, quase uma lembrança. E nessa novela de encontros e desencontros, um tom de despedida, feito com tranquilidade, certa calmaria, quase um desejo de reparação, um testamento.

Ou seja, uma questão particularmente delicada e complicada, por vezes dolorosa, mas não necessariamente triste, porque o cenário – e todas as suas lacunas – se preenchem de citações e referencias, um universo muito rico de música, filmes, livros e cartazes. Muitas memorias e madeleines, várias canções e, também um componente fortemente sexual, carnal, mas não excessivamente sexual. Há muita nudez, de corpo e alma, até mesmo doce sobre a sua sexualidade, algo que toca entre o carnal e o íntimo. E talvez seja pela química dos atores, talvez por seus encantos, fato é que Honoré nos oferece um cinema “in blue”, um filme celeste. Algumas lagrimas também.

RATING: 75/100

TRAILER

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CANNES · MIX BRASIL · REVIEW

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