Mia Madre

MIA MADRE


Eu nunca sou “eu” em meus filmes.
Bem, você não deveria falar de você mesmo.
Não… Não necessariamente, mas gostaria de fazer filmes mais pessoais.


E voilá: De volta aO QUARTO DO FILHO, à casa da mãe, MIA MADRE, duas histórias, o drama humanitário, a comedia leve, as incertezas, as dúvidas… Eis o cinema de Nanni Moretti, sua vida: Na tela, Margherita Buy, a diretora, a filha, vivendo seu duplo, protagonizando suas lembranças, a estrela que carrega nos ombros todo o filme, senão dois, e ambas as historias lhe afligindo nesse abismo, paixão e razão em eterno conflito.

E diante desse cinema, da Capranichetta, uma fila gigantesca de dilemas para resolver, pequenos padrões mentais, planos, escolhas, interpretações. Isso não é vida, não poderia, mas se torna uma confissão. Autobiográfica? Autoficção? Moretti filma seu 8½ de Fellini, e com ele seus sentimentos perante a (sua) vida, a mesma inadequação de Michel Piccoli em HABEMUS PAPAM, a mesma desilusão que se desenha nO CROCODILO.

Dessa narrativa, dentre tantos sonhos e realidades, senão a confusão que reina dentro da personagem, diretora e cineasta, tudo imerso em si mesmo em silêncios, em olhares, em memórias, a apreensão pela mãe, o sentimento de se superar no trabalho, os humores, a emergência. O anseio de não estar à altura. E agora? Vemos Margherita esmagada em seu filme panfleto, no momento mais delicado de sua empresa, a voz sumindo, embargando, a imagem em fade out, os pensamentos em fade in. “Sim, claro, o papel do cinema… Mas porque eu repito a mesma coisa por anos? Todo mundo pensa que sou capaz de entender o que acontece, interpretar a realidade, mas não entendo nada”.

E de novo aO QUARTO DO FILHO, aos medos que nos dominam. Essa experiência inevitável que todos compartilham. Dolorosamente. Tão triste. E aqui filmado no mais sublime, no mais delicado. Com AMOR, diria Michael Haneke. Tão “bárbaro”, diria Denys Arcand. Mas aqui, como uma espécie de redenção, um sorriso, uma lágrima. Che Belo, Moretti.

RATING: 79/100

TRAILER

Article Categories:
CANNES · FILMES · RIO · SAN SEBASTIAN · TIFF

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