Viceroy’s House

VICEROYs HOUSE


Com pompa e circunstância e ares de GOSFORD PARK e DOWNTON ABBEY, a cineasta Gurinder Chadha retorna no tempo (precisamente 1947) para narrar o fim do domínio colonial britânico na Índia. E o faz através da realeza, com o bisneto da rainha Victoria, Lord Mountbatten e sua esposa, na tela Hugh Bonneville e Gillian Anderson. De pano de fundo, a disputa de poder entre hindus, muçulmanos e sikhs, o conflito que afeta cerca de 500 funcionários que trabalham no palácio do vice-rei e também, como não poderia deixar de ser nessas produções, o melodrama “chão de cozinha” entre um jovem hindu e uma muçulmana, os dois vivendo seu conto de “Romeu & Julieta” enquanto o pais racha, literalmente.

E pelos olhos de uma cineasta inglesa, queniana de berço e indiana de coração. Cujos antepassados viveram no sopé do Himalaia, hoje Paquistão, mas ontem, há 70 anos, era uma Índia britânica. E pela História, pelo o que seus avós viveram, toda a violência sectária, os milhões e milhões de refugiados, um país à beira da celebração e do caos, vemos também esse palácio, VICEROY´S HOUSE, sua imponente arquitetura, seus suntuosos funcionários, o sangue azul, clássico, tipicamente inglês no sotaque e na cinematografia. O selo da BBC e da BFI orgulhosamente estampado na produção. Ao longe, o dejà vu de outros épicos e épocas, PASSAGEM PARA A ÍNDIA (de David Lean) e GHANDI (de Richard Attenborough) na mente e no espirito.

Sim, também um filme populista, de fácil assimilação, mas extremante justo: Uma versão fidedigna dos fatos, de todas as partes envolvidas, esquivando-se dos rótulos, das caricaturas, do certo e do errado. Apenas os fatos, os interesses da cada um e o jogo (in)consequente que deriva disso, o que é extremamente difícil de fazer, por se tratar de um tema tão político. E com isso em mente, na tentativa de educar, de entreter, a cineasta resolve entrelaçar esses eventos com uma história de amor. E viva Bollywood.

Então a narrativa se divide, entre amores e tensões, lordes e empregados, acima e abaixo, similar aos roteiros aristocráticos de Julian Fellowes, os mesmos encantos de Downton e Gosford e, não à toa, o retorno de Hugh Bonneville, outrora o patriarca Robert Crawley, os mesmos encantos, a mesma simpatia e nobreza. Enquanto ao fundo, a mesma melodia da série televisiva, ou algo bem similar, cortesia de A.R. Rahman. Sim, você já viu esse filme. Ou pelo menos acha que viu, mas certamente vale a pena ver de novo.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Pathé International, incluso a entrevista com a diretora
RATING: N/T

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BERLIM · PREVIEW

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