Mundo Oscar 2008 | Documentário

Entre os documentários, mais uma vez a guerra ao terror domina na disputa de longas-metragens. É enfocada em perspectivas diversas por três dos finalistas: NO END IN SIGHT de Charles Ferguson, OPERATION HOMECOMING: WRITING THE WARTIME EXPERIENCE de Richard E. Robbins, e TÁXI PARA ESCURIDÃO de Alex Gibney.


SICKO – SOS SAÚDE
Michael Moore
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Já indicado anteriormente por ENRON: OS MAIS ESPERTOS DA SALA (2005), Gibney é o nome do ano na categoria. É um dos produtores executivos do primeiro, sobre as burradas de Bush no Iraque, e diretor, escritor e produtor do terceiro, sobre a violação dos direitos humanos pelos EUA desde 11 de setembro. Seu mais recente filme, GONZO: THE LIFE AND WORK OF DR. HUNTER S. THOMPSON, sobre o jornalista neo-beat americano Hunter S. Thompson, acabou de estrear no Sundance Festival.


NO END IN SIGHT
Charles Ferguson
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Michael Moore volta a concorrer com SICKO – SOS SAÚDE. Merece a indicação pelo apuro cinematográfico do novo filme. O quinto concorrente é a história construtiva da vez: com cantos e danças, crianças driblam a barbárie em Uganda em WAR/DANCE de Sean Fine e Andréa Nix. Só mesmo a Academia para preferi-lo a WHITE LIGHT/BLACK RAIN de Steven Okazaki.


TÁXI PARA ESCURIDÃO
Alex Gibney
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SICKO reitera um dos maiores talentos de Moore. Sua formação como jornalista catalisou uma rara sensibilidade para o tópico da hora. Depois da obsessão armamentista (TIROS EM COLUMBINE) e da oposição a Bush (FAHRENHEIT 11/09), é a vez do sistema de saúde dos EUA. Falar mal do sistema de saúde americano parece mero capricho. Mas a provocação não é gratuita. SICKO foca os planos de saúde americanos que, incorporando parasitas, lucram com a doença alheia. O documentário segue a mesma gramática dos trabalhos anteriores. São cenas rápidas costuradas com um humor sutil para dar vida a um denso enredo. E o trabalho, além de louvável, deverá consagrar o diretor com o seu segundo Oscar. Tudo indica que longe da Casa Branca, Moore faz sucesso.


OPERATION HOMECOMING: WRITING THE WARTIME EXPERIENCE
Richard E. Robbins
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Encarar Bush mesmo é o papel de NO END IN SIGHT. O doc examina com minúcia os bastidores da administração do presidente que culminaram na guerra do Iraque, em 2003. Munidos de evidencias de erros, julgamentos fraudulentos e pouco caso com informações da Inteligência Estadunidense, o filme revela uma história sem pudor, culpa ou qualquer proposta de ética. Mas, ainda que o trabalho seja digno de premiação, não deverá ser desta vez que o Iraque receberá uma homenagem.


WAR DANCE
Sean Fine & Andréa Nix
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Mesma fórmula que se aplica a OPERATION HOMECOMING: WRITING THE WARTIME EXPERIENCE, de Richard E. Robbins. No entanto, desta vez, o foco não é a trama política que eclodiu em uma barbárie em uma terra além atlântico. O filme revela como os recrutados para a guerra resgatam a paz, depois de um oriente de terror. E, para maiores detalhes desta incoerência, basta perguntar a Dilawar, o motorista afegão de TÁXI PARA ESCURIDÃO. Onde a vítima sofre os tormentos dos tiranos capachos de Bush.

É… Parece que a leveza “Roberto Benigniana” ficou a cargo de WAR/DANCE. Ao contrario dos filmes acima, o foco concentra-se em mostrar como é possível encontrar animo para quem nasceu na derrota. Três jovens estudantes se inscrevem em um concurso de dança e vencem a tristeza com imponentes sorrisos.

Por Amir Labaki e Correio Web

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Comments

  • Categoria muito complicada, não sei ao certo em qual filme apostar. Por enquanto vou de “No End In Sight”, não acredito que o Michael Moore vencerá novamente esse prêmio em tão pouco tempo. Os outros filmes parecem completar a categoria mesmo, apesar de alguns apostarem em “Táxi Para Escuridão”.

    Vinícius P. 19 de fevereiro de 2008 5:56 Responder

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