BlacKkKlansman

BLACKkKLASMAN


Com fanfarra e estrondo, BLACKkKLANSMAN abre em Cinemascope, com Scarlett O’Hara em solo americano, em guerra civil e sangue negro e a militância só termina com a própria bandeira americana do avesso, isso preto no branco. E entre as cenas que separam E O VENTO LEVOU das manifestações de Charlottesville, quase 150 anos de história que passam pelO NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO, senão a idiotização de um país, Spike Lee “faz a coisa certa” e panfleta em favor de sua causa, do “Black Power” e o faz num cinema de blaxploitation, empunhando um drama contundente, um registro hilariante, um filme donde o próprio Ku Kux Klan é ridicularizado na forma como eles são, um bando de estúpidos.

Uma história curiosamente verdadeira, ainda que surreal, e donde um policial negro se infiltra no topo do partido, isso nos anos 70, durante o governo Nixon e a Guerra do Vietnã. Ron Stallworth (na tela, John David Washington, o filho de Denzel) o faz tudo por telefone e os membros rapidamente se convencem da sua ideologia, tal o disfarce, a preleção de ódio e o sotaque “ariano”. E também havia um oficial “branco” infiltrado na missão, para as reuniões gerais e atividades de campo e tudo para ludibriar o Ku Kux Klan, inclusive seu próprio líder, David Duke. Um filme que, portanto, entretém, tal a similaridade de ontem e hoje. E cuja roda viva está sempre a girar, na paridade entre Nixon e Trump, Coreia e Vietnã, “Law & Order”, no mesmo discurso, nas mesmas falas, “make America great again”… Ooh Shit!

Um filme que se propõe altamente incendiário, mas se coloca conciliatório, sem racismos, sexismos ou qualquer polarização e, embora seja um cinema claramente dividido, num ping-pong constante entre as reuniões do KKK e das Panteras Negras, dos protestos no campus e no campo, é extremamente perspicaz em sua montagem, no debate consciente, nas falas irreverentes. O tom é ultramoderno, mas sempre nos arrasta para os anos 70, para CODY, SHAFT e SUPER FLY, a “baadassss song” tão cool e popular, a caricatura fácil, o armazém cultural, mas não se engane porque a projeção foi minuciosamente orquestrada para esse hip-hop diss track. No fundo, ainda é Spike Lee. Sim, menos virulento, mais ainda poderosamente militante. Não é Palma, mas é Oscar.

RATING: 85/100

TRAILER

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CANNES · REVIEW

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