Natureza Morta

Era realmente um ano forte na indústria cinematográfica: Certamente haveria briga (There here would be fight), certamente haveria esnobado (There here would be snub) e certamente haveria sangue (There here would be blood). Concessões eram inevitáveis e no anúncio do Oscar, NA NATUREZA SELVAGEM virou “natureza morta”. Foram apenas duas indicações (Ator Coadjuvante e Edição). Pouco, mas não injusto dado, a natureza selvagem do ano vigente: Havia nove filmes com chances reais de indicação. O Globo de Ouro, com problemas mais sérios para resolver, desencanou e indicou logo sete. Mas a instituição OSCAR, não poderia gozar desse privilégio. São cinco, apenas cinco. Uma lista hermeticamente fechada: “Cinco Filmes para todos governar. Cinco Filmes para encontrá-los. Cinco Filmes para todos trazer e na escuridão aprisioná-los”, diria Tolkien.

O equilíbrio é matemático: Dois filmes com 8 indicações. Dois filmes com 7 indicações. Há anos, não se via nada igual. E, melhor, todos com chances reais de levar o Oscar. Os holofotes, por enquanto, estão sobre ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e SANGUE NEGRO. Um duelo que promete muita especulação ainda.

Mas no submundo, DESEJO E REPARARAÇÃO com toda sua pompa e perfume literário é aparentemente a fita que mais se destacou. Era favorito. Foi esquecido. Foi esnobado. Foi pisoteado. Teve estréia antecipada e de repente: Globo de Ouro, BAFTA e 7 indicações ao Oscar. Nada mal…

Então fica o conselho, Oscarbuzzers: Nunca, mas nunca subestime os ingleses! O BAFTA realmente importa e lentamente assume a condição que outrora foi do Globo de Ouro. É prêmio europeu, com uma perspectiva completamente diferente, mas foi ele que ressuscitou ATONEMENT, enterrou INTO THE WILD, esnobou Angelina Jolie e lembrou do figurino de PIAF. Mensagens subliminares que passaram sob o estigma de excentricidade inglesa. Ledo engano…

Suspeito de JUNO. Inocente demais. Fofo demais. Indie demais. Um leão em pele de cordeiro. Confesso que duvidei do filme em favor dO ESCAFANDRO E A BORBOLETA. Mas minhas perspectivas, alicerçada em matemática e estatística (Alías acertei 80% dos indicados), nunca permitiu isso. O filme se instalou na categoria de filme e literalmente “grudou” no terceiro posto. Não havia subjetivismo que abortasse o infeliz dali. Então fica! Filme de Oscar solteiro! Filme, Atriz e Roteiro! Que desperdício…

Mas agora com Jason Reitman indicado como diretor, o contexto muda radicalmente. Eles REALMENTE gostaram de JUNO. Digo os adolescentes que viram seu drama estampado nas telas. JUNO não foi um hit de bilheteria, mas atraiu o público adolescente aos cinemas, um mundo novo além do terror e comédia MTV. É literalmente um fenômeno. Algo digno de um TCC de sociologia.

Li por aí, que desaprovaram a indicação de Tommy Lee Jones. Porque? Esqueceram que além do VALE DAS SOMBRAS, ele esteve em ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ? Não havia vaga em coadjuvante, então deram um jeitinho “brasileiro”, oras…

Jeitinho brasileiro…A expectativa em torno dO ANO era grande. Imagino a população de verde e amarelo ouvindo com desolação que mais uma vez recusaram um filme brasileiro, não importa quão sucedida foi sua carreira internacional.

Sinceramente…Foi melhor assim. A categoria de Filme Estrangeiro é um escândalo. Não reflete o cinema mundial. O conjunto de regras esdrúxulas desclassificou uma dezena de filmes extraordinários como A BANDA (Israel), O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (França), LUST CAUTION (Taiwan), O ORFANATO (Espanha), DO OUTRO LADO (Alemanha) e, principalmente, o romeno 4 MESES 3 SEMANAS E 2 DIAS. O filme de Cristian Mungiu não é uma obra-prima. Está longe disso, mas reflete um momento de retomada do cinema romeno que começou com A LESTE DE BUCARESTE e COMO FESTEJEI O FIM DO MUNDO. Devia ser premiado por tudo que representa. Não foi. Não será.

A lista final de estrangeiros em si, reflete uma apelo ao antigo eixo soviético. Citaram Rússia, Áustria, Cazaquistão e Polônia. THE COUNTERFEITERS é o favorito e pela lógica não ganha. Fico com 12 (que sei, é uma obra prima), mas principalmente com POST MORTEM, do veterano Andrzej Wajda que convenientemente concorre em Berlim. É a 8ª indicação de Wajda. 81 anos de vida. Nunca ganhou. Têm algum apelo?

Não sei…Mas RATATOUILLE têm apelo de sobra. 5 indicações. Praticamente igualou a campanha dA BELA E A FERA em 1991. Em outros anos, tinha chances até de concorrer em filme. Mas fico satisfeito com a justiça que fizeram a Rémy. Igualmente feliz com Sarah Polley, autora do roteiro mais emocionalmente romântico do cinema.

Por falar em romance… Preciso falar dos curtas de animação. Ninguém se interessa, eu sei, mas foi a categoria que me deixou mais feliz de todas. Isso porque, como projeto de oscarbuzzer, encontrei o árduo caminho das pedras: ANNECY…

Não entendeu? então clique no link e compartilhe do meu orgasmo! Eu simplesmente citei 60% dos indicados na categoria, comentando ingenuamente o Festival de Animação, e não sabia. Além disso, vi também MADAME TUTLI-PUTLI no Festival de Curtas de São Paulo. E confesso: Melhor Filme está embolado, Melhor Fotografia está embolada, mas Melhor Curta de Animação está realmente embolada. Uma das mais fortes de todos os tempos. Quem ganhar é merecido. Quem perder é injustiçado. Não há alternativas. Quero empate!

É isso…Falei demais.

Lembrando que o Spoiler Premium vai avaliar todas as categorias individualmente, contender por contender, detalhe por detalhe. Devo começar por Filme Estrangeiro e Animações!

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Comments

  • Eu já tinha lido esses posts, mas de forma inexplicável só resolvi comentar agora. Não há muito o que falar aqui, nossas opiniões estão bem parecidas. Fico feliz por “Atonement” (merecia esse reconhecimento). E todo mundo apostou em “Into the Wild”, hein? Que coisa, ninguém esperava por sua exclusão. E a categoria de filme estrangeiro tem sua PIOR seleção em anos, e olha que não vi nenhum dos indicados ;-)

    Vinícius P. 27 de janeiro de 2008 14:24 Responder
  • Resumiu à perfeição o lema da Oscar season deste ano, “natureza selvagem”.
    E quem diria que testemunharíamos uma edição do Oscar onde os favoritos seriam os Coen e P.T. Anderson. Incrível!

    Gustavo H.R. 23 de janeiro de 2008 23:55 Responder

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