What Do We See When We Look at the Sky?

Quando abro meus olhos, vejo você.
Quando fecho meus olhos, vejo você.
Pode-se dizer que sou cego, mas não sou.
Eu vejo você, eu vejo você, eu vejo você…


Então é amor à primeira vista: em algum lugar qualquer de uma cidade georgiana, Lisa e Giorgi se encontram e o amor acontece, assim tão de repente, que eles até se esquecem de perguntar o nome um do outro. Antes de continuar em seu caminho, eles concordam em se encontrar no dia seguinte. Mal sabem eles que um mau-olhado lançou seu feitiço. Eles vão conseguir se encontrar de novo? E se o fizerem, saberão quem são? A vida continua como de costume na cidade, cães de rua se desgarram, a Copa do Mundo começa e uma equipe de filmagem busca encontrar o amor perfeito.

E nós, o público, ficamos surpresos com eles mesmos. Não estamos acostumados às ousadias, nem decisões precipitadas, mas esse amor que logo surgiu de manhã entre os passos apressados na entrada da escola, e que depois cresceu simultaneamente ao decorrer do filme, deixou todo o constrangimento desaparecer. Há algo de especial nessa pequena odisseia que Alexandre Koberidze nos propõe, você vê. E é ali no cruzamento que ele surge, um encontro inesperado, repentino e desajeitado, que passa meio despercebido ao público, aos próprios amantes, mas não aos olhos de alguns objetos de cena que observam de longe tudo acontecer. São quatro amigos ao todo – e mesmo sendo proibido de falarem -, eles decidem ajudar Lisa, porque Lisa está em grande perigo. “A primeira a falar com Lisa foi a mudinha. A muda disse a Lisa, que neste momento maravilhoso, quando ela concordou em se encontrar com o jovem, eles foram observados por um mau-olhado. A câmera de vigilância falou com Lisa em seguida e disse a ela que estava amaldiçoada pelo mau-olhado. O terceiro amigo era uma velha calha de chuva. A calha de chuva disse a Lisa que a maldição mudaria sua aparência completamente quando ela acordasse na manhã seguinte. O vento deveria dizer a Lisa o resto, mas um carro parou entre Lisa e o vento. A voz que Lisa estava ouvindo parou. Lisa saiu da encruzilhada com medo. O carro também saiu.” E é nessa cena, um vislumbre fascinante das provações e tribulações de vários personagens, que tudo acontece, donde sentimos a brisa, esse amor genuíno ao cinema, a música ao fundo em bela serenata, os objetos ganhando vida em tom de fábula e os nossos olhos se acostumando com a doce sensação.

De fato, é cinema de sentir: o próprio diretor já nos pede fechar os olhos e enxergar. E O QUE VEMOS QUANDO OLHAMOS PARA O CÉU? Difícil dizer… simplesmente é algo indescritível. Você ouve lá no fundo um coração batendo, cada vez mais alto, mas, na verdade, é o nosso. Seria amor? Seria paixão? Acho que é cinema em sua forma mais pura, desse que nos remete à nouvelle vague francesa, à Godard, à Truffaut, à Rohmer… eu fecho os olhos e penso em Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Brigitte Bardot, Jean-Pierre Léaud e tantos outros, mas de repente os abro novamente e vejo esse cinema de amor e suspense. Como é possível? Assim tão colorido e caloroso? Não é… acho que é o céu mesmo. De certo, é algo que nos hipnotiza, que nos enreda pela trama da cidade, esse mosaico de existência que passa pela projeção como um sopro. Sim, uma celebração (filosófica?) da vida, do amar e ser gentil. Eu amei. E como poderia não amar?

RATING: 83/100

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REVIEW · BERLIM · MOSTRA SP

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