Medida Provisória

“Em uma cultura de morte, viver é desobediência civil”


Curioso ver uma distopia brasileira, donde Adriana Esteves imita Damares, Renata Sorrah faz a vizinha chata do condomínio (aquela que recebe revista Veja fora do plástico) e o “Ministro da Devolução” lembra ao longe o próprio Weintraub encarnado… essa história, um misto de JOGOS VORAZES, CONTOS DA AIA e governo Bolsonaro, baseada numa peça de Aldri Anunciação – Namíbia, Não! -, donde um projeto de lei determina que todas as pessoas de “melanina acentuada” sejam deportadas imediatamente à África em “retratação” da diáspora vivida pelo povo africano no Brasil escravocrata.

Aliás, a ironia de MEDIDA PROVISÓRIA é essa sátira sombria com o Brasil de hoje, assombrado por um crescente centrão nacionalista branco e, não à toa, essa lei seja “aprovada” com imagens de arquivo do impeachment de Dilma Roussef. O elenco ainda conta com Taís Araújo, Seu Jorge, Emicida e, detalhe, Alfred Enoch que até anteontem era o Dimas da franquia Harry Potter. É um filme muito fácil de assistir, bem padrão “Globo de dramaturgia”, não sei ao certo se é ideal para o cinema, as escolhas do estreante Lázaro Ramos são cheias de altos e baixos, até um pouco amadoras, falta certo aprofundamento nos personagens, algum polimento, não é um filme ruim, pelo contrário é um título obrigatório, politizado, raçudo, diria indispensável porque reflete um tanto da realidade nacional.

O resultado é um grito entoado, um duo de Emicida e Elza Soares juntos, “minha voz, uso para dizer o que se cala, o meu país é meu lugar de fala”. E é muito forte. Lembra um SELMA tupiniquim. Todo o elenco junto, como num clipe do “Criança Esperança”, os atores todos em canto: “Pra que separar? Pra que desunir? Porque só gritar? Porque nunca ouvir?”. Sim, é um pouco cafona, mas também arrepiante.

RATING: 69/100

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