Wheel of Fortune and Fantasy

Histórias de amor, encontros e desencontros que duram apenas quarenta minutos: um triângulo amoroso inesperado, uma armadilha de sedução fracassada e um encontro que resulta de um mal-entendido… e três minifilmes para Ryusuke Hamaguchi nos encantar no filmeverso, essa brincadeira que ele tão sabe fazer no espaço e tempo, a valsa de câmera, a fotografia desse brilhar intenso, mas principalmente a história, o contar construído cheio de humanidade e sutilezas. É outro filme pequeno, outro filme de menina(s) tão perdida(s) e dividida(s) como outrora ASAKO I & II, aqui nesse jogo do amar e se arrepender e os sentimentos a girar a sorte nA RODA DA FORTUNA E FANTASIA.

Ao cineasta, cabe contar essas histórias como um dia Éric Rohmer faria: anedotas e reviravoltas tão bonitas e complicadas sobre mulheres, emoções e seu ciclo de aleatoriedade, três historietas, três encontros casuais, três pequenos ataques de decepção e voilá: um filme inteiro de ambiguidades e ironias, talvez o primeiro de uma trilogia, ou da imaginação de um diretor que não nos cansa de surpreender pelo inesperado do mundo.

“Eu não sabia que conversas podiam ser tão eróticas”, duas amigas conversam em um taxi sobre um rapaz. Mais tarde, descobre-se que a primeira está de fato apaixonado pelo ex da segunda, e isso desperta – girem a roda – ciúmes? desejos vingativos? insegurança? O cineasta tão somente filma “magia”. “Ela tratou meus testículos como um passarinho de asa quebrada”, lê uma jovem ao seu professor, um trecho do próprio livro que ele escreveu. O encontro, na verdade, é um estratagema de vingança e sedução, ela deseja criar um escândalo, mas de repente – girem a roda – empatia? conexão? paixão fulminante? E de novo o cineasta filma de “portas abertas” o destino, sem saber ao certo o que pode acontecer. “Achei que teria um buraco na sua vida agora, assim como eu. Você deve ter um buraco que nada pode preencher. Não há como eu preencher. Mas eu tenho o mesmo que você. Ainda podemos nos conectar por aquele buraco”. E “mais uma vez” se gira a roda: Surpresa? Esperança? Coincidência ou destino? Hamaguchi filma a pura euforia, o sentimento de se estar vivo, e o faz com tão pouco, pouquíssimos atores, plano e contra plano e esse fogo que do nada surge e incendeia os diálogos. E daí tal intensidade porque esse filme nada mais é do que pessoas solitárias girando a roda da fortuna em busca de conexão, de contato humano, seja o mais ínfimo. Há uma doce nota de piano para enfatizar essa melancolia, o filme inteiro. O resto é a sorte.

RATING: 75/100

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REVIEW · BERLIM

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