Mr. Bachmann and His Class

Confesso que a metragem assusta, 217 minutos de projeção, mas que ao longo do filme vai lhe conquistando pela ternura, do quão bonito é o equipamento humano e didático em sala de aula e de como as crianças percebem a dinâmica do ensinamento. É um filme vivência escolar, como tanto outros, as crianças são pré-adolescentes então o roteiro fica bem longe da rebeldia do ENTRE OS MUROS DA ESCOLA, talvez seu filme gêmeo. O dínamo é mesmo o “Mr. Bachmann” e essa paixão que ele tem de ensinar e o fazer de múltiplas formas lúdicas. As crianças o respeitam. Eu o respeito. E o resultado é uma aula, literalmente, de como exercer a arte de ensinar com arte, de como fazer cinema de uma forma inteligente. Não à toa, Prêmio do Júri da Berlinale´21.

Talvez o encantamento ao visitar esse filme, o próprio Dieter Bachmann em sala de aula, seja experimentar o ofício de um professor que constrói toda uma relação pessoal e emocional com os alunos. Alguém que não apenas transmite conhecimento, mas que se envolve – muito pessoalmente – com todas as suas fraquezas e forças. Alguém sem qualquer tabu ou preconceito, nem a serviço do politicamente correto, apenas uma vivida abertura emocional para se envolver. Um profissional que cria uma atmosfera sem medo em que as crianças se sintam seguras, onde elas possam se mostrar e se desenvolver. E assim, a escola se tornar sua sala de estar, um espaço confiável onde os alunos falem sobre qualquer coisa e isso com um professor que na conversa desafia, provoca, incentiva, fortalece, promove a solidariedade e a empatia. Alguém que sabe que fortalecer a autoestima pode ser mais importante que o teorema pitagórico. Alguém que joga todas as suas habilidades na balança para que habilidades não acadêmicas possam se desenvolver também. Malabarismo. Escultura Carpintaria. Dança. Música. Atividades importantes para fomentar a comunicação entre os alunos e ajudar a superar barreiras sociais, culturais e linguísticas.

Então, para a cineasta – Maria Speth – coube apenas observar essa dinâmica, a escola como palco de cinema: não um caso de sucesso de um modelo pedagógico alternativo, mas um legítimo encontro fraterno de ideias/ideais. E principalmente um filme donde é nítido o carinho pelas crianças durante todo o ano letivo de filmagens. Obviamente não-atores, sem qualquer técnica de dissimulação ou interpretação, todos filhos de classe trabalhadora de uma pequena cidade rural. Eles, de várias raízes e origens – turca, russa, búlgara ou alemã, pode-se dizer de certa vida precária e donde as oportunidades de educação e avanço social são limitadas. Contudo, assim como o professor Bachmann ofereceu aos jovens a chance de desenvolver suas habilidades, beleza e dignidade, a cineasta também o faz ao seu modo: sua câmera em cada aluno, ao seu tempo, miniestrelas por 217 minutos. E passa rápido. Muito rápido. Ao final, ao ver as cadeiras vazias, você até sentirá falta.

RATING: 79/100

TRAILER

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REVIEW · BERLIM

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