Copilot

“Minha querida copiloto, obrigado pelos cinco anos maravilhosos e difíceis que você passou comigo. Você pode se orgulhar de seu marido e de si mesma. Sem você eu não teria forças para seguir meu caminho.”


Desses filmes enamorados de casal correndo na praia, cheio de amor e paixão, para se jogar na areia, ao mar pelado e se amar, amar profundamente, e mergulhar bem fundo nesse cinema enquanto o vento esvoaça pelos cabelos. Dois jovens estreantes, Asli e Saeed, o papel de suas vidas, ela é turca, ele é libanês, os dois aos abraços nesse filme alemão de muitas linguagens e fronteiras, talvez porque o amor seja universal, então muito se fala, em alemão, inglês, árabe, turco, passagens inteiras sem legenda, outras na ponte aérea do linguajar. E nós ali, o público, decolando e indo às alturas com esses personagens – 500 DIAS COM ELA, cinco anos com ele – e só depois sofrer, porque histórias de amor são assim.

Uma narrativa suave, filmada em episódios que duram anos, que começa tão simples, ela vai ao parque, ele vai a festa, e ambos brincando de verdade e desafio, encontros e beijos, nesse mergulho bem íntimo de casalzinho. À cineasta, Anne Zohra Berrached, coube nos enredar em torno deles, nos circundar com uma fita vermelha e selar o casamento: “você deve sempre ficar comigo, você deve guardar meus segredos e não mostrar minhas fraquezas”. E até aqui tudo bem, muito açúcar como tantos outros romances já vistos, mas quem conhece a diretora, quem viu seu filme anterior, as 24 SEMANAS que devastaram meio mundo, sabe que não é bem assim… e claro, aqui também, porque a história dá uma arremetida completa: ele desaparece, ela vai ao exilio. Um novo personagem aparece – “ei, o que está acontecendo aí? você ficou paranoica? Está louca? O diabo está falando com você, meu amor. Tem um demônio na sua cabeça dançando e dizendo coisas para você!”

E é triste ver essa queda livre, o despencar de perspectivas. A cineasta sempre filma sua atriz, nos coloca bem junto dessa mulher para captar cada dilema moral do coração, cada expressão de dúvida. “Você realmente o conhece?”, ela não sabe, mas o amava e era o que importava. Enquanto isso, o rapaz some, reaparece, ora de cabelo longo, ora curto, ou de topete, às vezes com barba por fazer, ou bem longa ou aparada. Esse homem nunca é o mesmo, só ela não percebia – mentira, nós também -, ao passo que a jovem, essa mulher que se perde de amores, só percebemos alguma mudança no final – o espelho entrega.

O tal segredo que a sinopse tanto alardeia, nem é tão segredo assim, dá para matar a charada com 30 minutos de projeção, mas vale pela sacada de roteiro e é o gatilho perfeito para esses atores brilharem. Guardem os nomes: Canan Kir e Roger Azar, sim, eu estou apaixonado.

RATING: 71/100

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EM BREVE

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REVIEW · BERLIM

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