Quo Vadis, Aida?

Um filme tenso de muitas mulheres e suas histórias sobre seus filhos, maridos, irmãos, pais que foram abandonados pela ONU e capturados pelo exército sérvio da Bósnia. Histórias que contaram todos os dias na mídia, nos jornais, por aí, mas somente hoje, 25 anos depois, 8.000 mortos, 1.700 desaparecidos, a história do genocídio de Srebrenica finalmente é contada em audiovisual e sob os olhos de Aida. Então, QUO VADIS, AIDA? Aonde vai nosso mundo? E diante da terra arrasada, o povo invertebrado, um país adiado, a cineasta Jasmila Žbanić reconstrói os porquês, todos esses relatos monitórios – e foram muitos – os pontos cegos, a falta de sinceridade, a falha de responsabilidade, uma evidente aversão em apontar a direção de onde a desgraça se aproxima, isso com a conivência da Europa – repetidas vezes com sua veemente cooperação.

Reúne esses contos na história de Aida (na tela, Jasna Djuricic), uma professora de inglês e tradutora que se refugia em uma base militar das Nações Unidas operada por soldados holandeses da paz, ao lado de seu marido, dois filhos e 30.000 outros refugiados. Enquanto o exército sérvio invade a cidade e começam as batidas mortais, um ultimato da ONU é ignorado pelas forças invasoras que bombardeiam implacavelmente os civis sitiados. A proteção das forças de paz desmorona à medida que a situação se agrava com a chegada do comandante do exército da Republika Srpska, Ratko Mladić, que mais tarde seria condenado por crimes de guerra. Com a inutilidade da ONU exposta e os refugiados abandonados como cordeiros ao matadouro, Aida luta freneticamente para salvar sua família dentro da chamada zona segura.

Então, voltemos à Aida, essa personagem, seus dramas e emoções: afinal Quo Vadis, Aida? Mas é tarde demais para perguntar aonde a humanidade foi durante essa provação horrível e a mulher sem ter aonde ir, para não crucificar esse povo, para lhe dar algum alento, caminha em campo minado traduzindo as pessoas donde a guerra passa em câmera lenta. Essa gente cuja expressão sempre nos fita com olhos estreitos e sofridos. Gente perdida. Gente esquecida. Gente esperando a decisão dos generais. Esse é o pano de fundo pelo qual a jornada da protagonista se torna um tortuoso trem fantasma para nós – o público – enxergar essas atrocidades tão magistralmente reunidas na tela. Um cinema de cortar o coração, feito por sobreviventes da própria guerra – a diretora, a atriz, parte do elenco -, uma gigantesca coprodução de nove países (mea culpa?), tudo para tornar esse testemunho do indomável e inimaginável espírito humano no mais justo e fidedigno possível. In memorian.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Indie Sales, incluso a entrevista com a diretora
RATING: N/T

TRAILER

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TIFF · VENEZA · PREVIEW

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