Três Verões


Por Eduardo Benesi

Se preparem para TRÊS VERÕES. Não imaginava Regina Casé topando um papel tão próximo ao estereótipo de Val, poucos anos depois de ter feito um filme de arquétipo social tão parecido. Mas mora justamente aí a sacada do novo longa de Sandra Kogut. É um material que se aproveita da carga simbólica de QUE HORAS ELA VOLTA e cria um rumo inusitado dentro do mesmo recorte de classe, mas agora em um contexto pós-lulista.

Se o filme de Anna Muylaert trazia uma mobilidade de estrutura (na figura de Jessica) em tons mais diplomáticos, brandos e espelhados no tom conciliador do Lulismo, o longa de Kogut pega emprestado um episódio da Lava Jato para cimentar um roteiro que aos poucos vai sugerindo um revisionismo paródico (sem alusão direta) habitando uma revanche de classe.

De repente estamos imersos por uma comédia-pastel deliciosa, quase uma versão-pastiche de PARASITA, uma vingança ficcional que apenas Regina Casé teria a capacidade de liderar. E mais do que isso: a proposta dialógica de roteiro usa piadas que inicialmente poderiam banalizar a figura do pobre, mas que na boca da protagonista beiram a uma auto-ironia amparada pelo próprio arco subversivo.

É fabuloso quando um material se equivale de um recurso extracampo para criar um enredo que nos obriga ao estudo associativo. Dessa vez uma atualização que suspende os bons modos sem o viés da violência. A Casa Grande implode pelo humor, o conceito de ocupação ultrapassa o intimismo doméstico criando uma inversão dos subestimados. TRÊS VERÕES costura a sua hora mágica sem se desculpar, sem esconder o seu ímpeto “fan-service”, bem-vindo assim.

RATING: N/T

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