Waves


Um filme sobre as nuances do amor em inúmeras encarnações, conexões, comunicações e expiação e isso em família, na Flórida, no hoje, indo e vindo em suas diferentes trajetórias e estratégias, entre dois irmãos, do trauma à identidade, da destruição à renovação, altos e baixos, fluxo e refluxo, amor romântico, amor familiar, amor ardente e o mar, imenso mar misturado ao Sol, à vida, esse cinema, o tortuoso filme de Trey Edward Shults que nos arrebata com suas ondas bravias – vindo, devastando e logo partindo -, e nos deixando apenas a turbulência, as lágrimas, seus personagens, nosso amor…

Então, uma declaração profundamente pessoal sobre tal sentimento e sua consequente perda, e isso impulsionado por uma trilha caótica que ondula entre Animal Collective, Kendrick Lamar, Radiohead, e tudo intercalado pela partitura-frenesi de Trent Reznor e Atticus Ross. O resultado é um barco agitado na vida suburbana, a história de um jovem que experimenta uma tragédia insondável, a história de sua irmã que navega no primeiro amor. E tal qual AMORES EXPRESSOS, de Wong Kar-Wai, um filme bifurcado, dividido em dois segmentos distintos e em sequência, o primeiro do irmão em sua espiral descendente, o segundo da irmã em sua florescência romântica, ambos os contos conectados (e influenciados) pelos pais, dois assombrosos atores na tela, Sterling K. Brown e Renée Elise Goldsberry.

E novamente, como outrora o fez em KRISHA e AO CAIR DA NOITE, o cineasta explora a dinâmica familiar à beira do colapso, o caos fervilhante, a falta de comunicação: WAVES coloca a família ao centro e explora em cada frame a batalha de vontades entre pai e filho, senão os demônios se misturando nessa convivência. E depois, a redenção e a renovação nas brasas da destruição, quebrando o ciclo do trauma e da raiva que muitas vezes circundam as gerações, mas isso aos olhos da irmã, quase no pleno contraste. E cada visão, filmada em seu próprio modo, de início a sensação de liberdade, euforia, o enquadramento em 1:85, no topo do mundo, aberto, livre e apaixonado. E aos poucos, com a projeção, a tela vai se fechando, a proporção diminuindo, isso oscilando conforme o espirito dos seus personagens. Com eles, o movimento de câmera, o tamanho da lente, como se a câmera – a música inclusa – estivessem na cabeça dos personagens e cada personagem na maresia de suas vidas.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela A24, incluso entrevista com a diretor e notas de produção
RATING: N/T

TRAILER

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TIFF · PREVIEW

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