História de um Casamento


Eis a HISTÓRIA DE UM CASAMENTO, segundo Noah Baumbach: Um filme que parte de “uma grande ilusão” e logo se torna uma visão desvirtuada de KRAMER VS. KRAMER. Um conto que se estilhaça em duas histórias, e com efeito: o tributo a ela, Scarlett Johansson, e o tributo a ele, Adam Driver. Então, uma história de amor no colapso (se isso for possível), que divide pessoas, família, propriedade e tempo e assim prossegue nos tribunais enquanto os advogados se envolvem, a história se transforma e os significados mudam porque os argumentos se tornam legais e a verdade é cada vez mais distorcida. Depois, a fumaça desaparece e o casal continua sua história pois, afinal, há uma criança envolvida, então a história (desse casamento?) continua, em certo sentido, também após o fim.

Na verdade, o próprio roteiro se despedaça entre os gêneros, um suspense, um drama de tribunal, uma comédia romântica, por vezes excêntrica, uma trágica história de amor e até um musical. E tudo se torna uma pista para voltar mais tarde. Cada errinho bobo que pode passar despercebido logo se torna munição. A cadeirinha que não foi instalada corretamente no carro, uma taça de vinho a mais na noite, esses são os incidentes triviais que voltarão mais tarde como ferramentas legais de batalha, a história de um divórcio.

Depois, há um forte senso de relacionamento físico das pessoas entre si em uma sala e, também, seus relacionamentos individuais com o ambiente. Há muitos close-ups. Scarlett e/ou Adam estão em todas as cenas e ambos são quase onipresentes de uma maneira estranha e desafiadora. E existem as casas, cada uma em um extremo e espectro, no Brooklyn ou em Hollywood, mesmo em cada frame e cada lugar emoldurando seu próprio personagem. Uma história, de certo modo pessoal, porque o cineasta é filho de divorciados e se divorciou de Jennifer Jason Leigh recentemente. Com coreografia complicada, diálogos sobrepostos e atores magníficos, Baumbach nos conta detalhadamente todo o aparato por trás e depois do divórcio, os advogados gananciosos, a briga pela custódia do filho, a partilha, a ferocidade burocrática dos tribunais, A GUERRA DOS ROSES, A LULA E A BALEIA e cada nuance e área cinzenta desse processo. E o faz sob uma observação sociológica, antropológica, fenomenológica e de escavações psicológicas surpreendentes. Não à toa o show (de Adam, claro): “Being alive”, apesar de tudo.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Netflix, incluso entrevista com a diretor e notas de produção
RATING: N/T

TRAILER

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TIFF · VENEZA · PREVIEW

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