Amanda


Começa do nada. Normal. As crianças saindo da escola, uma família de turistas chegando. David está atrasado. Ele sempre está atrasado. O filme começa e aos poucos apresenta seus personagens. Dois irmãos. Uma mãe e sua filha. “Elvis deixou o recinto” é uma expressão e um gancho para um momento divertido. Mikhaël Hers, então, filma o dia e a vida desses protagonistas, as ruas de Paris, os flertes, os jardins e os passeios de bicicleta. O faz nas cores da Nouvelle Vague, tão iluminado como Godard, Truffaut e Varda o fizeram. E ao público, cabe se encantar à esse pequeno cotidiano de alegrias, bolinhos e piqueniques. Ouvir a conversa, as histórias, afinal sentar na grama e se apaixonar por cada um.

Então, com 23 minutos de projeção, David está atrasado. Ele sempre está atrasado. Ninguém comprou o pão, o trem não chegou, vão indo na frente, ele diz ao celular. Corte. Um longo traveling de bicicleta. Nenhuma música. Nenhum som. E tudo (re)começa do nada. Desse (ataque de) pânico, terror e horror, Vincent Lacoste carrega o filme para si e com ele, AMANDA e, sim, não é um bom dia para se passear por Paris, todos sabemos. Um coelho saiu e ninguém menciona Sandrine. Ninguém ousa, é normal. Melhor dar um tempo.

E rápido porque eles vão se atrasar. David e Amanda sempre estão atrasados. E de novo o filme recomeça. Normal. Pai e filha. Mãe e filho. Mesmo quando Elvis deixa o recinto. Quando tudo acaba e parece perdido, o cineasta quebra o saque e promove uma reviravolta. Afinal temos tempo. Temos todo o tempo do mundo.

RATING: 85/100

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REVIEW · VENEZA · RIO · MOSTRA SP

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