Frères Ennemis


De um lado, o crime. Do outro, a polícia. Ao centro, esse filme de David Oelhoffen que forja links inesperados entre os dois lados, também as expectativas, os medos, os conflitos, e sem os devidos romantismos do gênero policial. Dito isso, um cinema de subúrbio como de fato é, sem fantasiar a vida policial ou criminal.

Ainda é ficção, seus personagens narrados com as mesmas nuances e complexidades de qualquer drama, mas, aqui, o cineasta filma as minúcias do suburbano, sejam traficantes ou policiais, irmãos ou inimigos, no privado ou político, atento a cada conflito familiar do gueto. Em termos de abordagem, é um flerte francês ao GOMORRA de Matteo Garrone. Um filme sobre a realidade que não imita a violência dos filmes americanos, mas absorve a singular e afiada visão de uma realidade muito específica e local, sua imagem crua, natural e extremamente universal.

Em FRÈRES ENNEMIS, os protagonistas lutam com o grupo ao qual deveriam definir e dar-lhes identidade. É o policial que rejeita sua identidade ao negar suas origens norte-africanas. É o bandido que encontra sua identidade na família que não é dele. Disso incorre certa tensão entre a liberdade pessoal e os grupos aos quais pertencem. Para cada um, cada meio é uma proteção e um isolamento, um refúgio e uma prisão.

Então, o cineasta filma Matthias Schoenaerts e Reda Kateb como dois lados de uma mesma moeda. Kateb é delicado, esperto e aberto. Seu personagem se alterna entre a inteligência e a intuição. Por outro lado, Matthias tem apelo físico, uma força incrível, perfeitamente adaptado a essa violência ao qual se impõe no filme. Os dois atores, no entanto, não são filmados da mesma forma, Matthias está no centro de um grupo que lhe dá certa aura, enquanto Kateb está sempre sozinho, menos radiante. Dois personagens, outrora amigos, que por circunstâncias (aqui lê-se traições, reviravoltas e cenas de ação) desenvolveram certa hostilidade e, depois, a amizade que perderam. De certa forma, compartilham o mesmo destino, cada um em um lado da cerca. E, sim, tal realidade é implacável.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela BAC Films, incluso entrevista com o diretor e notas de produção
RATING: N/T

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VENEZA · PREVIEW

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