A Revolução de Cannes 2018

ASH IS PUREST WHITE

50 anos depois de maio de 68, do boicote de Roman Polanski, Louis Malle e Monica Vitti, da revolta de Jean-Luc Godard, François Truffaut e Claude Lelouch, desse movimento que paralisou o Festival de Cannes, criou a Quinzena dos Realizadores, inflamou uma geração e toda uma “nouvelle vague”, é agora, através de seu curador, Thierry Frémaux, que se propõe uma nova revolução. E aos 71 anos, ainda sem um rosto definido (o pôster sequer foi divulgado), em tempos de combustão, de inclusão, de #MeToo, de toda essa pressão, tensão, negociações e egos, entre produtores, diretores, distribuidores, enfim desse maquinário que roda os interesses de um mercado e do cinema em si, é o próprio Frémaux que promete uma edição histórica, não convencional, longe de seus velhos costumes e habitués de sempre.

Em princípio se põe em guerra ao streaming, basicamente a Netflix e a Amazon, negando aos seus títulos, a devida competição, às Palmas, a Seleção Oficial, embora nas sessões paralelas esteja permitido. E a Netflix, em resposta, retirou seus títulos do evento, ROMA, de Alfonso Cuarón (que pretendia a Competição); THE OTHER SIDE OF THE WIND, de Orson Welles (que seria o principal evento de gala de Cannes Classics); HOLD THE DARK, de Jeremy Saulnier (que estaria fora de Competição), além de NORWAY, de Paul Greengrass (esse seria uma surpresa) e o documentário de Morgan Neville sobre Orson Welles, THEY’LL LOVE ME WHEN I’M DEAD. Todos estão fora. Talvez não por culpa de Frémaux, nem da própria Netflix, mas pela própria regra do jogo, as que Cannes (e a Berlinale) agora exigem, a tal distribuição em cinemas parisienses, mas então, como fazê-lo se as leis francesas exigem 36 meses de janela entre a exibição no cinema e no streaming? Difícil dizer. Aliás, torna o negócio inviável. Um impasse.

Também em guerra se coloca aos jornalistas, essa “imprensa tóxica”, cerca de 4000 corvos que emigram anualmente à Croisette para denegrir seus filmes, os tapetes vermelhos, a coragem de todo o elenco e sua produção, com suas críticas vorazes e twitters nocivos, e como anteriormente fizeram no desastre de RODIN, SEA OF TREES, THE LAST FACE, BROWN BUNNY e tantos outros filmes que vieram à Riviera na esperança e no fim de suas carreiras. Para evitar tal dano, as sessões de imprensa serão agora simultâneas às Premières. No pior dos casos, a imprensa verá o filme depois do público, no dia seguinte. Isso – parece – deve aliviar o temor dos produtores, mas nem todos porque os rumores indicam que Xavier Dolan deve levar THE DEATH AND LIFE OF JOHN F. DONOVAN para Toronto por medo de tais críticas, assim como Megan Ellison, que trouxe FOXCATCHER para às Palmas em 2014 e, depois, negou DETROIT à competição em 2017, recusou agora THE SISTERS BROTHERS, de Jacques Audiard e, por extensão, levará consigo também FIRST MAN, de Damien Chazelle para Veneza.

DOGMAN
*** DOGMAN, de Matteo Garrone ***

Uma guerra também ao calendário… ao adiantar o evento, pela logística que demanda a mudança acima, vários filmes não estarão prontos a tempo, entre eles SUSPIRIA, de Luca Guadagnino; HIGH LIFE, de Claire Denis; SAINT VIERGE, de Paul Verhoeven e AT ETERNITY´S GATE, de Julian Schnabel. Outros títulos farão a rota do Oscar, isso em terras italianas e canadenses, tais como THE FAVOURITE, de Yorgos Lanthimos e BEAUTIFUL BOY, de Felix van Groeningen.

Por fim, uma guerra ao passado, os laços e velhos vínculos, mirando o que o cinema se tornou, para o bem ou para o mal. Aparentemente DONDE NACE LA VIDA, de Carlos Reygadas e PETERLOO, de Mike Leigh, foram recusados. O filme inglês sequer tem distribuição na França, isso depois de vários screenings. Fontes sugerem que o filme é lento, excessivamente longo, e o diretor se recusou a remonta-lo por “sugestão” do comitê. IMAGE ET PAROLE, de Jean-Luc Godard também sumiu das apostas. Nenhum rumor sequer. O mesmo silêncio em torno de RADEGUND, de Terrence Malick e de VISION, de Naomi Kawase. O que será que aconteceu? E, claro, outro fora é Terry Gilliam. THE MAN WHO KILLED DON QUIXOTE virou caso de polícia, está indo aos tribunais num imbróglio de direitos autorais, uma briga com o produtor Paulo Branco, enfim, o filme está embargado. Uma pena.

Então… O que resta para Cannes? Vamos especular… de antemão, TODOS LO SABEN de Asghar Farhadi abrir o evento, oficialmente e em Competição, o que é no mínimo curioso, porque pelos screenings iniciais, os rumores são de um filme flop (Já li “Grace de Madrid”, “The Last Face espanhol” e “BLINDNESS de Farhadi), mas por outro lado, ao fazê-lo em disputa da Palma de Ouro, estão protegendo o tapete vermelho das críticas, uma vez que agora as sessões são simultâneas para público e jornalistas em todos os filmes em Competição. Outro título confirmado, esse na vaga “hollywoodiana” é HANS SOLO: A STAR WARS STORY, de Ron Howard. Uma pré-estreia de luxo, diria.

SUNSET
*** SUNSET, de László Nemes ***

Pela Palma, deverão ser 20 filmes em disputa, talvez 21. Pelo histórico, 2 ou 3 asiáticos, 4 americanos, 4 franceses, 1 inglês, 1 latino, 1 médio oriental e o resto europeu. Vamos pautar os prognósticos por ai, e sim, Cannes sempre preza por essa divisão, ame ou odeie.

Diz a lenda, que Fréumax só define os títulos franceses em competição, na véspera do anúncio oficial, mas diante de tantas desistências, dos imprevistos, as fontes são quase unânimes em torno de quatro títulos. São eles: MAYA, de Mia Hansen-Løve; UN AUTRE MONDE, de Stéphane Brizé; PLAIRE, AIMER ET COURIR VITE, de Christophe Honoré e UN AMOUR IMPOSSIBLE, de Catherine Corsini. A comédia de Olivier Assayas (NON FICTION) está de “plano B”. Pelo elenco gigantesco, UN PEUPLE ET SON ROI, de Pierre Schoeller, está confirmado, provavelmente em Sessão Especial. IMAGE ET PAROLE, de Jean-Luc Godard, é dúvida, pode ir para a Quinzena, fora de Competição ou nem aparecer na Côte D’Azur. A animação de Michel Ocelot, DILILI IN PARIS, também está confirmada, provavelmente na Un Certain Regard. LE DERNIER VIDE-GRENIER DE CLAIRE DARLING, de Julie Bertuccelli, está especulado para abrir UCR e muito se fala nos bastidores sobre GIRLS OF THE SUN (Eva Husson), AU POSTE (Quentin Dupieux), AMANDA (Mikhaël Hers), UN COUTEAU DANS LE COEUR (Yann Gonzalez), LES CONFINS DU MONDE (Guillaume Nicloux), C’EST ÇA L’AMOUR (Claire Burger) e PSYCHÉ (Gaspar Noé). Por fim, há um buzz em torno de Abdellatif Kechiche para que ele abra a Quinzena dos Realizadores com MEKTOUB MY LOVE – SEQUEL.

Do Oriente Médio, muito se fala do projeto que Jafar Panahi filmou (ainda em prisão domiciliar) com seu filho, THREE FACES. Um habitué natural de Berlim, os rumores contam que esse filme ia aos Ursos, mas acabou seduzido pela Croisette, pelo qual nunca competiu (E a Berlinale, escalou em seu lugar, THE PIG, de Mani Haghighi). Outros dois títulos são bem comentados, o libanês CAFARNAÚM, de Nadine Labaki (que tenta a difícil Competição) e o sírio MY FAVOURITE FABRIC, de Gaya Jiji.

LONG DAY’S JOURNEY INTO NIGHT
*** LONG DAY’S JOURNEY INTO NIGHT, de Bi Gan ***

Entre os asiáticos, está a encrenca… São em tese três vagas, para diversos contenders de peso. A primeira, aparentemente é do chinês Jia Zhang-ke, com sua novela de “crime & castigo” intitulada de ASH IS PUREST WHITE. É o filme mais ambiciosos (e caro) do diretor, portanto um lock. A segunda vaga está encaminhada para o coreano Lee Chang-dong, 8 anos depois de competir pela Palma com POESIA (um dos filmes da década, eu diria). BURNING é uma adaptação direta de um conto de Haruki Murakami, um suspense em torno de uma femme-fatale e celeiros incendiados. Alerta de obra-prima, portanto. Por último, quem seria? Até semana passada se cogitava em Naomi Kawase (VISION) ou mesmo Hirokazu Kore-eda (SHOPLIFTERS), velhos conhecidos de sempre, mas o artigo da Cineuropa anunciou nas entrelinhas que o novo filme de Bi Gan (LONG DAY’S JOURNEY INTO NIGHT) está pronto e foi inscrito em tempo, ou seja, se confirmarem os rumores, temos não só a terceira vaga preenchida, como um sério candidato a Palma de Ouro, uma vez que, segundo as fontes, existe um gigantesco plano-sequência em 3D inserido no filme, que promete revolucionar a história do cinema (OMG!). Tem mais: Hong Sang-soo (HOTEL BY THE RIVER), Mamoru Hosada (MIRAI NO MIRAI), Kôji Fukada (THE MAN FROM THE SEA), Lou Ye (SATURDAY FICTION) e Brillante Mendoza (“KINATAY 2″). Entenderam o dilema?

Vamos aos latinos: Considerando Carlos Reygadas fora (recusado?) e Alfonso Cuarón também (boicotado?), a vaga em competição fica entre PÁJAROS DE VERANO, de Ciro Guerra; LA QUIETUD, de Pablo Trapeiro e OVERGOD, de Gabriel Mascaro, os três já confirmados no Festival, só não se sabe aonde. Nosso palpite: um deles em competição, os outros dois na Un Certain Regard. Simples assim. Há ainda dois títulos aparentemente comentados, o argentino MONOS, de Alejandro Landes e o guatemalteco TREMORS, de Jayro Bustamente.

Se houver surpresas no anuncio do dia 12, saibam que as maiores estarão entre os filmes americanos. Há uma certa tendência de esvaziamento (ou desprezo?) dos produtores americanos pelo tapete vermelho de Cannes. Parece que Veneza, Toronto e Telluride se tornaram mais interessantes (e cobiçados) nos últimos anos. Ou seja, o garimpo aqui se torna mais extenso, o buzz mais divergente, as apostas mais interessantes. Então, são 4 vagas e vários contenders, os quais eu cito em ordem de probabilidade: RADEGUND, de Terrence Malick; UNDER THE SILVER LAKE, de David Robert Mitchell; DOMINO, de Brian de Palma (especulado para o encerramento); THE BEACH BUM, de Harmony Korine; THE NIGHTINGALE, de Jennifer Kent, UNTITLED PROJECT, de Pippa Bianco; FAHRENHEIT 451, de Ramin Bahrani; SICÁRIO 2: SOLDADO, de Stefano Sollima e DESTROYER, de Karyn Kusama. Fora a surpresa de última hora, que já adianto, será BLACK KLANSMAN, de Spike Lee, espécie de “Far Cry” no interior dos EUA, isso na década de 70, em tempos de Ku Klux Klan. Filme, aliás, que já figura nas apostas do Oscar 2019.


*** PÁJAROS DE VERANO, de Ciro Guerra ***

Vamos aos europeus (e as últimas 8 vagas): da Hungria e depois do recente sucesso dO FILHO DE SAUL, László Nemes deve apresentar SUNSET (o screening para o comitê foi Sábado e não houve nenhum rumor, bom ou ruim); o turco Nuri Bilge Ceylan deve retornar à Croisette, mesmo que THE WILD PEAR seja extremamente experimental e tenha dividido os curadores, o que pode colocá-lo tanto na Competição ou em outra sessão paralela. O italiano Paolo Sorrentino está confirmado, só não se sabe como… LORO tem 4 horas de duração e, comercialmente será exibido em duas partes, então pode vir em Cannes num filme editado, ou somente com uma das partes, ou completo, fora de competição. A italiana Alice Rohrwacher, com LAZZARO FELICE, deve retornar às Palmas, não só pela qualidade do filme, mas para preencher a cota #Metoo ao lado de Mia Hansen-Løve e Catherine Corsini (Há ainda essa estória de Claire Denis, que suspeito seja lorota…). Também italiano, Matteo Garrone está confirmado com DOGMAN, em Competição. O polonês Pawel Pawlikoski deve apresentar COLD WAR em algum lugar, mas não em competição porque o filme é da Amazon. E ainda, no páreo, estão o bielorusso DONBASS, de Sergei Loznitsa; o austríaco ANGELO, de Markus Schleinzer; o russo LETO, de Kirill Serebrennikov, o inglês THE SOUVENIR – Pte.1, de Joanna Hogg e, também inglês, IN FABRIC, de Peter Strickland (que pode ir para Locarno).

Há ainda um assunto delicado para resolver, e voltamos de novo à revolução que será escalar THE HOUSE THAT JACK BUILT, de Lars von Trier, em competição. Expulso do Festival, dito como “Persona non grata” depois da desastrosa coletiva de MELANCOLIA em Cannes 2011, é cada vez mais forte o zumzumzum do filme às Palmas. Haverá coragem? Ousadia? Se for, será épico, provavelmente o assunto de um evento que promete fazer história e ser lembrado, talvez, até Cannes 2068.


71º Festival de Cannes | Apostas Finais

Filme de Abertura | Cannes 2018
TODOS LO SABEN | Asghar Farhadi – CONFIRMADO

Competição | Cannes 2018
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
SUNSET | László Nemes
THE WILD PEAR | Nuri Bilge Ceylan
ASH IS PUREST WHITE | Jia Zhang-ke
LORO | Paolo Sorrentino
BURNING | Lee Chang-dong
RADEGUND | Terrence Malick
MAYA | Mia Hansen-Løve
LAZZARO FELICE | Alice Rohrwacher
THE HOUSE THAT JACK BUILT | Lars von Trier
DOGMAN | Matteo Garrone
PÁJAROS DE VERANO | Ciro Guerra
UNDER THE SILVER LAKE | David Robert Mitchell
DONBASS | Sergei Loznitsa
BLACK KLANSMAN | Spike Lee
LONG DAY’S JOURNEY INTO NIGHT | Bi Gan
UN AUTRE MONDE | Stéphane Brizé
THREE FACES | Jafar Panahi
HOTEL BY THE RIVER | Hong Sang-soo
PLAIRE, AIMER ET COURIR VITE | Christophe Honoré
UN AMOUR IMPOSSIBLE | Catherine Corsini

runner ups | Competição
DONDE NACE LA VIDA | Carlos Reygadas
PETERLOO | Mike Leigh
VISION | Naomi Kawase
ROMA | Alfonso Cuarón 
NON FICTION | Olivier Assayas
LA QUIETUD | Pablo Trapeiro
ANGELO | Markus Schleinzer
LETO | Kirill Serebrennikov
THE SOUVENIR – Pte.1 | Joanna Hogg
THE BEACH BUM | Harmony Korine
AMANDA | Mikhaël Hers
LES CONFINS DU MONDE | Guillaume Nicloux
IN FABRIC | Peter Strickland
CAFARNAÚM | Nadine Labaki

Filme de Encerramento | Cannes 2018
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
DOMINO | Brian de Palma

Filme de Abertura | Sessão “Un Certain Regard”
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
LE DERNIER VIDE-GRENIER DE CLAIRE DARLING | Julie Bertuccelli

Sessão “Un Certain Regard”
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
COLD WAR | Pawel Pawlikoski
SHOPLIFTERS | Hirokazu Kore-eda
MIRAI NO MIRAI | Mamoru Hosada
OVERGOD | Gabriel Mascaro
MONOS | Alejandro Landes
DILILI IN PARIS | Michel Ocelot
THE NIGHTINGALE | Jennifer Kent
GIRLS OF THE SUN | Eva Husson
CARAVAN | Sebastian Schipper
CONTINUER | Joachim Lafosse
TREMORS | Jayro Bustamente
THE FACTORY | Yuri Bykov
ALICE T. | Radu Muntean
“KINATAY 2″ | Brillante Mendoza
THE MERCY OF THE JUNGLE | Joël Karekezi
ANGEL | Koen Mortier
THE FUGUE | Agnieszka Smoczynska
DESTROYER | Karyn Kusama
MY FAVOURITE FABRIC | Gaya Jiji
THE MAN FROM THE SEA | Kôji Fukada

runner ups | Un Certain Regard
C’EST ÇA L’AMOUR | Claire Burger
DI JIU TIAN CHANG | Wang Xiaoshuai
BALCANIC 1: DOG | Florin Serban
LES INNOCENTS | Simon Jaquemet
GUEULE D’ANGE | Vanessa Filho
CURIOSA | Lou Jeunet
MEMORIAS DEL CALABOZO | Alvaro Brechner
FANNY LYE DELIVER’D | Thomas Clay
OUTSIDE | Michal Hogenauer

Fora de Competição
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
HANS SOLO: A STAR WARS STORY | Ron Howard – CONFIRMADO
UN PEUPLE ET SON ROI | Pierre Schoeller
OITO MULHERES E UM SEGREDO | Gary Ross
SATURDAY FICTION | Lou Ye
SHADOW | Zhang Yimou

runner ups | Fora de Competição
SICÁRIO 2: SOLDADO | Stefano Sollima
OS INCRÍVEIS 2 | Brad Bird
A RAIN DAY IN NEW YORK | Woody Allen

Sessão Midnight
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
UN COUTEAU DANS LE COEUR | Yann Gonzalez
PSYCHÉ | Gaspar Noé
MANDY | Panos Cosmato

Sessão Especial
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
FUNAN | Denis Do

Filme de Abertura | Quinzena dos Realizadores
MEKTOUB MY LOVE – SEQUEL | Abdellatif Kechiche

Quinzena dos Realizadores
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
AU POSTE | Quentin Dupieux
VITALINA VARELA | Pedro Costa
GIRL | Lukas Dhont
JOUEURS | Marie Monge
QUIÉN TE CANTARÁ | Carlos Vermut
UNTITLED PROJECT | Pippa Bianco
PETRA | Jaime Rosales
P.E.A.R.L | Elsa Amiel
EVIL GAMES | Ulrich Seidl
FLEUVE NOIR | Erick Zonca
PASSED BY CENSOR | Serhat Karaaslan
COUREUR | Kenneth Mercken
THE TOWER | Mats Grorud
COINCOIN AND THE EXTRA HUMANS | Bruno Dumont
I FELL GOOD | Gustave Kervern & Benoît Delépine
ANOTHER DAY OF LIFE | Raúl de La Fuente & Damian Nenow
UNTITLED PROJECT | Maxime Giroux
THE MOUNTAIN | Rick Alverson
SIBEL | Ç.Zencirci & G.Giovanetti

runner ups | Quinzena dos Realizadores
AMIN | Philippe Faucon
SHEHERAZADE | Jean-Bernard Marlin
LE GRAND BAIN | Gilles Lellouche
JESSICA FOREVER | Jonathan Vinet & Caroline Poggi
L’OISEAU DE PARADIS | Paul Aivanaa Manaté
TEMPO VERTICAL | Lois Patiño
THE WIND BLEW ON | Katrín Ólafsdóttir
LES CHATOUILLES | Andréa Bescond, Eric Métayer

Semana da Crítica
*** Apostas em Ordem de Probabilidade***
THE VISITOR | Sebastian Godwin
ONLY YOU | Harry Wootliff
NOS BATAILLES | Guillaume Senez
CHRIS THE SWISS | Anja Kofmel

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FESTIVAIS

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