Pequena Grande Vida

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Se há quase 30 anos, Rick Moranis veio ao mundo anunciar “QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS!”, é Alexander Payne, agora, que torna o argumento mais factível, isso num futuro próximo, em tempos de superpopulação, um grande problema que se torna pequeno, um pequeno filme que se torna grande. Uma sátira social que, aos poucos, se torna menor, mais ordinária, mais confusa, enquanto Matt Dammon diminui aos nossos olhos… Sim, #Venezia74 pensou em abrir grande e rumo aos Oscars, à Lillipute de LA LAND, GRAVIDADE e BIRDMAN e – por que não? – de Payne, de NEBRASKA e SIDEWAYS. Não pense pequeno, mas não foi bem assim…

Então, por ironia, pensemos… Cientistas noruegueses descobrem como encolher a humanidade para doze centímetros de altura e propõem uma transição de escala (literalmente) em 200 anos. Logo, as pessoas percebem a mudança de perspectiva, o quanto isso economizaria em espaço e recursos, consumir menos e poluir menos, a promessa de uma vida melhor, sim, parece muito promissor. Mas não é… Trata-se de pura especulação porque nos falta um pequeno detalhe, justamente a natureza humana, aquele fator variável e imprevisível que desencadeia vários problemas, os nossos inclusive e donde, claro, nunca se reconhece a própria responsabilidade. E assim, eis a pequena comedia que surge da distopia, do absurdo e inusitado das coisas, também um filme de personagens (dúbios?) e roteiro (esquizofrênico?), algumas neuroses e tragédias pessoais, um tanto simples e profundo, com todos “vivendo grande por viver pequeno”.

E, por favor, aonde se escreve “viver grande” se lê “multiplicar o valor de seus ativos atuais em proporção ao seu tamanho, oferecendo-lhes luxos que jamais sonharam possuir”. E é nesse microcosmo que se insere Paul e sua esposa, Matt Damon e Kristen Wiig, ambos em busca de uma nova perspectiva (ou não). E é por esse universo que filma Payne, de pequenos filmes indies à um filme (um blockbuster?) de grande estúdio. E logo se percebe a dimensão do projeto, pelo grande elenco, a gigantesca pós-produção, o acabamento em si, mas o filme, com a projeção, também se reduz: De uma excelente ideia, vários núcleos narrativos, tudo DOWNSIZING. Surgem imigrantes, terroristas, prisões e divórcio, a comedia escurece, dramatiza e, nesse ponto, se perde na pequenez de um cinema de consumo, instantâneo, sim, muito agradável, mas que poderia ser maior, muito maior. Uma pena.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Paramount Pictures, incluindo notas de Produção
RATING: 55/100

TRAILER

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FILMES · TIFF · VENEZA · RIO

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