Liga da Justiça

JUSTICE LEAGUE

Não havia expectativa. Qualquer esperança, aliás. O próprio filme se encarrega de acertar o tom no começo, definindo essa (des)ilusão e dizendo que, ali, não há qualquer perspectiva. Então, A LIGA DA JUSTIÇA parte do luto e em luto fica durante toda a projeção. Não por Superman que se foi no começo, mas por essa franquia (a DC Comics) que se perde no caos, nas idas e vindas, nas peripécias de roteiro e montagem, na barba e no bigode de Henry Cavill que não existe, foram removidas digitalmente e, com os pelos, toda a expressão do personagem, como se fosse Sansão e ali estivesse toda a sua força (ou alma?). Não, não há qualquer esperança. Só decepção. Cemitério Maldito ou brunch com o chefe. Você decide.

Um filme que parte caótico, em frangalhos, sequências aleatórias, personagens aleatórios, Mulher-Maravilha surge do nada para combater um atentado terrorista. Do nada, ela tem super velocidade para desviar das balas, do nada ela tem super força para atirar a superbomba capaz de destruir três quarteirões para o alto, até sumir no céu e salvar a humanidade. Nada da essência do balé coreografado das Amazonas. Apenas uma cena de ação cool, diria bizarra. Batman, do nada descobre um segredo. O roteiro, então, nos conta esse mistério de três caixas glub-glub, artefatos mágicos, poderosos e perigosos que, reunidos, destruirão o planeta.

Mas calma, as caixas estão seguras, guardadas em fortalezas de povos antigos. É a deixa perfeita para o roteiro (ou a coincidência divina) fazê-las pulsar, uma por vez, como manda o argumento. Primeiro a fortaleza de palha das Amazonas, depois a fortaleza de madeira dos Atlantis, por fim a fortaleza de pedra dos homens. O Lobo da Estepe assopra e assopra, e todas caem, é muito fácil. Ele é Hellboy e deseja o inferno. E se a batalha de deuses antigos esta perdida, chamem Deus Ex-machina e tudo se resolve. Oh God!

Sim, é um filme de super-heróis, de ação. Muita coisa precisa ser relevada, mas fica difícil crer nesse timing perfeito, donde Diana, em um atelier de restauração, num Museu, coincidentemente tem um televisor ligado para ver que o templo grego arde em chamas, e justamente depois de sua rainha dizer “por favor, Diana, nos ouça”. Ou então, o esconderijo do lobinho estar justamente submerso nas aguas, para que haja uma cena f* de Aquaman. “Oh, meu Deus, estamos embaixo do Porto!”. O roteiro poderia estar mais polido, mais convincente.

Ao que parece, a DC Comics tenta correr atrás da Marvel. E, ao faze-lo, na pressa, perdendo um pouco da sua austeridade em favor do humor fácil (que é o que vende nOS VINGADORES), ao invés de trabalhar seus personagens, com calma, com cuidado (que é o que dá certo na franquia Marvel) prefere reuni-los num amontoado de cenas malfeitas, em castings descuidados, sem empatia. Henry Cavill parece o cigano Igor. Ben Affleck parece uma estátua de cera. Custava fazer um filme do Aquaman para entendermos o que raios é essa história do exílio? (Será que eu cochilei na sessão?). Como explicar a armadura cibernética do Cyborgue fugir e voltar de controle tão rápido? (Não cabia outro filme aqui?). Não à toa o melhor da sessão seja o trailer dA PANTERA NEGRA, no começo.

Há esperança? Talvez haja. A cena pós crédito coloca um pouco de luz nessa sombra, embora também me lembre o quão errado foi escalar Jesse Eisenberg para um papel tão importante. Ok, mesmo assim parece promissor. Tomara.

RATING: 50/100

TRAILER

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