The Square

THE SQUARE


THE SQUARE (2017)UM POMBO POUSOU NUM GALHO PARA REFLETIR SUA EXISTÊNCIA e, dali, viu Robert Ostlund. Ambos se entreolharam e por um segundo se conectaram. Então, o pombo voou para outros paradigmas e o cineasta teve uma ideia: De um filme. De uma instalação: THE SQUARE. Um santuário de confiança e carinho, donde não haveria qualquer hipocrisia, e donde cada pessoa partilha seu direito e dever como igual. No papel, é bonito. No cinema, é engraçado. E isso é arte (moderna?) que, por FORÇA MAIOR, também é uma sátira diabólica sobre a sociedade e seus valores, de suas expressões e do que realmente é belo, ou dito altruísta.

A ação transcorre naturalmente no museu e, como arte, nos tira da zona de conforto, nos provoca, nos instiga, nos entretém, dá o que pensar e falar pelo tom extremamente caustico e cínico, diria mordaz e, também, elegante, de grande retorica visual. Em temática, transita pelas instalações/esquetes para falar de responsabilidade e confiança, ricos e pobres, poder e impotência. As crenças crescentes no indivíduo, a descrença na comunidade. A desconfiança do Estado, na mídia e na arte. E tais questões cuidadosamente curadas em seu protagonista, um pai divorciado, mas devotado, que dirige um carro elétrico e suporta boas causas. Um tanto idealista, extremamente cínico em suas ações, sua grande promessa artística é “The Square”, um quadrado imaginário que convida os transeuntes ao altruísmo, lembrando-lhes de seu papel como seres humanos. Difícil mesmo é as pessoas entenderem o que é humanidade…

Então, o cineasta filma a indiferença, a sociedade, todos ali como montinhos de pó, apáticos, surreais, esquecidos em seu canto. Na escola de Roy Andersson e seu “filme do pombo”, vemos um inusitado projeto de arte, a parábola do “bom samaritano” diante da banalidade do mal. Em crise existencial, o protagonista enfrenta as perguntas que todos enfrentamos, assume a responsabilidade, confia no inconfiável, comporta-se moralmente com um indivíduo. E, ao fazê-lo, noz faz rir, pelo mais inusitado, o (i)moral. E, assim, nos coloca nesse “quadrado”, a grande tela do cinema, para refletir (nossa existência?). E esse é o mérito do artista. De Ostlund.

RATING: 81/100

TRAILER

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CANNES · MOSTRA SP · REVIEW · SAN SEBASTIAN · TIFF

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