Blade Runner 2049

BLADE RUNNER 2049

Cerca de 35 anos depois do original de Ridley Scott e outros 35 adiante no tempo, nessa sequência de Denis Villeneuve, eis um novo BLADE RUNNER, ou senão a saga de Ryan Gosling, ele imerso num trem fantasma, a vagar pelos restos da humanidade, o pó da sociedade, na caça de uma criança, isso nos fiapos de um argumento que Ridley Scott sugeriu possível no primeiro filme e os roteiristas Hampton Fancher (do BLADE RUNNER original) e Michael Green (LOGAN, DEUSES AMERICANOS) escrevem, agora, inverossímil.

E, aceito essa história (que história?), resta ao público embarcar nessa (longa) jornada, a saga de um homem (na verdade um replicante) em busca de um propósito, um fim, ele próprio sem alma, sem passado, sem futuro, apenas uma memória a se agarrar, um quarto e um holograma para dormir. Tão pouco e mesmo assim o essencial para – dia após dia – cumprir sua missão (que missão?), caçar seus iguais, aposentá-los e ser menosprezado. Não há vida aqui. Não é vida isso aqui. Falta-lhe esse propósito que, talvez, esteja enterrado bem fundo em uma árvore, ou encravado no passado, nos ossos de uma qualquer da mesma raça. É possível? Não é. Nunca foi, mas daí parte a premissa (a ficção?) desse novo episódio, seu nascimento, seu blackout.

Um filme-cerimonial que Villeneuve registra com pompa e circunstância, nessa névoa cancerígena, na areia tóxica, nas brumas torrenciais, que sugerem um ambiente mais vago e estéril, toda a humanidade no seu mais rudimentar. São MAD MAXs, seres objetos, escravos replicantes, repugnantes, ressentidos de tudo e todos, incapazes de contato. Qualquer contato. Hologramas fantasmas separados por vidro, sua felicidade num copo (ou redoma?) de vidro e isso é tudo o que lhes resta.

E, sim, um filme tecnicamente perfeito, seja na fotografia monocromática de Roger Deakins, seja no som, na fúria e nas motosserras de Hans Zimmer. Mesmo no cenário-aquário de Dennis Gassner. Mas falta algo… um propósito. O público sente e a poltrona começa a incomodar o lombo, a projeção se torna cada vez mais lenta, mais artificial. Ryan Gosling e seu olhar vazio e perdido repete a única memoria que lhe resta. O grande ato com Harrison Ford, numa cidade fantasma de Elvis Presley e Frank Sinatra é assustadoramente assombroso e vazio, mas o filme é frio e frio permanece até o último frame. Tão inócuo como Jared Leto.

RATING: 72/100

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FILMES

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