Human Flow

HUMAN FLOW


“Eu quero o direito da vida,
do leopardo na primavera, da semente aberta –
Eu quero o direito do primeiro homem”
Nazim Hikmet, Poeta Turco (1902-1963)


Imagine isso: Quando o perigo vier, você e sua família abandonarão suas vidas, deixando para trás uma casa bombardeada, a repressão em seus calcanhares. Você gastará todas as suas preciosas economias em uma passagem de semanas ou meses – sobre as montanhas, através dos desertos – para pular em uma frágil balsa de borracha, ousando desafiar os perigos do oceano, perseguindo um futuro não escrito. Ou esperar em suspense, na viagem bloqueada, na fronteira fechada, em um campo improvisado, lutando para nunca permitir que o arame farpado perfure sua esperança. Talvez você escape da catástrofe, apenas para se entregar a uma cidade que você nunca imaginou, as novas ruas estalando com medos e fúrias que não fazem sentido e, mesmo assim, você é conduzido pelo mais básico otimismo humano, para viver sua vida, custe o que custar.

E isto não é uma ficção. São casos reais. Rostos humanos reais – cada um, alinhado e luminoso com histórias de amor e coragem e batalhas urgentes pela sobrevivência – de um planeta em movimento, um planeta no meio de uma emergência humana. Muito tem sido dito sobre os milhões de refugiados que fogem da guerra, da fome e da perseguição. No entanto, à medida que os debates se encolhem sobre quem e quantos, a segurança versus a responsabilidade, construindo paredes e destruindo pontes, a verdade vital dessas pessoas reais com sonhos reais e necessidades reais , capturadas nesse labirinto de incertezas, podem se perder. o própria rótulo de “refugiado” logo nos distancia, nos afasta. Não se trata de estatísticas ou de massas abstratas, mas do bater de corações, de vidas em processo, um fluxo de histórias individuais cheias de cores, êxtases e dores não tão diferentes das nossas.

E é por isso, por essa urgência, que Ai Weiwei veio ao cinema e do artista não se podia esperar menos… Arte, confronto, poesia, as imagens falam por si só. Em movimento geram um fluxo de pensamento migratório que urge de forma épica e fica conosco, além do cinema, da semana, talvez para sempre. Não é um filme fácil, no entanto. De cidade em cidade, Weiwei filma as fronteiras, os povos, a névoa da crise, seu filme ganha magnitude, se expande, voa literalmente pelo mundo e mostra a dimensão da humanidade (ou falta de). Não, não é fácil, mas é essencial.

(*) Crônica transcrita do material cedido pela Lionsgate
RATING: N/T

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PREVIEW · VENEZA

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