The Insult

THE INSULT


De uma discussão trivial sobre um cano quebrado, uma atitude de desprezo, palavras descabidas, desculpas que não chegam, os ânimos exaltados, por fim a briga e as costelas quebradas; Dessa cena surge um filme de confronto entre um cristão libanês e um refugiado palestino, isso nos tribunais, em Beirute, nas feridas secretas, nas revelações traumáticas e todo o circo midiático decorrente, senão o cinema social de Ziad Doueiri, cheio de contradições e paixões, em busca de justiça. Ou talvez dignidade. O incidente pode ter sido banal, mas os sentimentos subconscientes – como o cineasta os filma – não o são.

Então, na tela, um conto construído sobre um evento que espira fora de controle. Que começa pela tensão, um incidente, e toma proporções gigantescas. Dois personagens, Toni e Yasser, ambos com suas falhas, seus respectivos passados e uma série de obstáculos. Ambos imersos num ambiente elétrico e explosivo, um barril de pólvora. Bastava o estopim, o tal insulto. Causa e efeito. Eis o filme. Um título que também repercute no passado, na guerra civil, a tragédia que se encerrou sem vencedores, nem perdedores e donde todos foram absolvidos. A anistia geral se transformou em amnésia geral. Ficou adormecida, esquecida, recolhida para debaixo do tapete, mas surge, vez ou outra, face a face desses homens enquanto as mulheres recolhem os cacos.

Portanto, um filme-tribunal, o faroeste dos advogados, que duelam forças e meritocracia, indo do pessoal para o universal e isso ecoando pela politica, a religião, todo o Líbano… Uma historia que se debate através de um argumento donde nada é preto no branco, donde é impossível tomar partido, rotular os bons dos maus e, assim, (tentar) escrever essa tal dignidade. Ou o perdão? Ou a culpa? Não importa… Doueiri faz um belo filme, justiça seja feita.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Indie Sales, incluindo a entrevista com o diretor
RATING: N/T

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PREVIEW · TIFF · VENEZA

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