Mimosas

mimosas


Do longo silêncio, pelo pó, pelas savanas e o infinito, eis um filme-peregrinação: A história de uma jornada de homens e mulas, pelo cascalho, o Sol escaldante e o nada… Para aonde vão? Ninguém sabe. Lentamente, pelo caminho das cabras, atravessam as montanhas. São nada nessa paisagem. Areia no deserto. Partículas no vento. Um velho, entretanto, os guia. Um diretor nos guia.

E através dos olhos de Oliver Laxe, adentramos nessa cápsula do tempo em busca de um bom lugar para morrer. E ali, nesse cinema, nesse santuário, vendo finalmente um velho partir e um novo surgir, experimentar a sensação da estrada e a procissão por perigosas trilhas, através do “ser”, pelo “existir”, carregar um corpo pela montanha, um espírito pelas estrelas. “A questão não é enterra-lo aqui ou ali. É fazer algo grandioso na vida”.

Então, vemos o céu e o inferno de um povo. De um conto que versa a criação, do confronto entre Deus e o Satã e os desafios desse jogo de guerra e paz. Na tela, o diretor nos fala sobre a humanidade em três episódios, todos sobre o ato de rezar, se religar com a natureza ou algo superior embora, no fim, revele o deserto em todos os seus rudimentos primitivos, o mais inóspito, selvagem e árido. E desse duelo entre “homens de bem”, entre o paraíso e o purgatório, ali nessa terra exótica, nesse fim de mundo, nesse faroeste sombrio, senão o Marrocos, filmar cada pessoa em sua pequenez, no mais sórdido e no mais belo.

Afinal, um filme sobre a fé, a religião e a espiritualidade. Sobre o encantamento do mundo. O sagrado. Um épico, por dentro e por fora, donde nesse exilio, os espíritos estão encarnados e os corpos estão se desmanchando. Não resta muita coisa. Nem humanidade, diria.

RATING: 67/100

TRAILER

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CANNES · FILMES · MOSTRA SP · TIFF

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