Okja

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Jornalistas nunca escreveram sobre porcos, mas escreverão sobre os porcos de Bong Joon Ho, desse ambicioso filme da Netflix, da guerra declarada entre o cinema e o streaming, entre o homem e o animal. Falarão sobre esse cinema de interesses (Capitalistas? Veganos? Ecológicos?), que versa sobre a ciência e os transgênicos, a indústria alimentar e sua ganancia voraz, mas tudo feito de maneira bem leve, extremamente divertido, quase juvenil.

OKJA é, senão, um porco, um hipopótamo, quase um Totoró. É marketing “happy face”, um milagre surpreendente, um negócio do futuro. Um animal enorme, ainda que tímido e introvertido, “descoberto” no Chile, criado em laboratório, enviado para cada canto do planeta para, ali, se adaptar e crescer. Ao final de 10 anos, eles devem retornar ao seu dono, uma empresa multinacional de interesses duvidosos, para talvez um Prêmio no grande Festival do Porco ou – quem sabe? – uma lata, um embutido ou um gancho de açougue.

E é na Coreia do Sul, que o cineasta filma a primeira parte de sua sátira social, da amizade entre tal monstro e uma jovem. Que abre na caricatura, no show business e logo se encontra no paraíso, entre as montanhas, a floresta, riachos e arvores de caqui. E é ali que o público se enternece por tal ingenuidade, a originalidade, a natureza exuberante como se fosse uma aquarela de Miyazaki. Depois, segue-se a parte industrial, o sinuoso caminho para Nova York, o rapto do elefante, o ataque terrorista, a fuga no metrô, todo um plano mirabolante de resgate e esconde-esconde. JUMANJI. Estamos extasiados.

Um projeto que jamais seria possível sem o financiamento da Netflix, que deu liberdade criativa ao diretor, que tornou esse filme num belo (ou espetacular?) clássico, digital, realista, repleto de CGI e aventura. Uma fabula moral, atual, diria até spielberghiana… Difícil, mesmo, será vê-lo na tela pequena. Porque merece mais. Uma tela muito maior.

RATING: 72/100

TRAILER

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CANNES · FILMES

Comments

  • Parece que a Netflix tem causado barulho em Cannes! A defesa que Tilda Swinton fez, nesta semana, sobre o serviço de streaming, foi extremamente contundente.

    Cinéfila por Natureza 21 de maio de 2017 13:39 Responder

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