Rodin

RODIN


Do célebre RODIN, um homem foi esculpido em pensamentos como peça culminante de um grande feito. Seu nome é “O Pensador”, mas também “O Poeta” ou, talvez, o próprio Dante Alighieri, autor da “Divina Comédia”. E diante da complexa escultura, senão os esboços da “Porta do Inferno”, isso em 1880, o próprio escultor medita sobre a sua obra, uma resposta às famosas “Portas do Paraíso”, de Lorenzo Ghiberti, esculpidas em bronze na Renascença. Rodin, por outro lado, quer subverter a hierarquia dos materiais, desdenhar o ouro, a prata, o próprio bronze para esculpir em argila. E, dali, criar o inegável ponto de partida da escultura moderna. E é nesse momento, que se abre a biografia de Jacques Doillon, ali, diante das figuras do Inferno, num pretenso paraíso, duas horas de projeção e purgatório.

Estamos em Paris, diante de Vincent Lindon. Ele é Auguste Rodin e compartilha sua vida com Rose. No trabalho, conhece Camille Claudel, sua mais talentosa assistente e, depois, amante. Uma década de paixão, admiração mútua e cumplicidade. Depois, a ruptura e o trabalho implacável, a argila que molda o busto e os corpos, o sucesso e a condenação. Por fim, Balzac.

Sim, a dimensão física e sensual de MINHAS SESSÕES DE LUTA, seu filme anterior, também ecoa por esse trabalho, nos rostos e nas palavras, mas também nos corpos, suas expressões, nas curvas e linhas, na argila sovada, dobrada e amassada, tão viva ao toque, e ainda capaz de inúmeros modelos e formas, e por meses e meses de trabalho, ainda podendo ser escovada e acariciada, como a pele de uma jovem amante. E é nesse processo que se vê a obsessão pelos contornos, as veias, a torção de um musculo ou aveleira. Portanto, um filme tátil, físico, laborioso, extremamente rigoroso sobre o ato de criação. Que Doillon filma em controvérsias, garotas, clichês e fascínios e, infelizmente, sucumbe ao didatismo e seu tedioso processo. Sem drama. Sem argumento. Apenas o trabalho. O artista e seu extenuante ofício.

RATING: 60/100

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CANNES · MARCHÉ DU FILM

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