You Were Never Really Here

YOU WERE NEVER REALLY HERE


Não há nada aqui para se ver. VOCÊ NUNCA ESTEVE REALMENTE AQUI. Exceto por Joaquin Phoenix e, sim, precisamos falar sobre Joe, desse homem frio, de passado igualmente frio. Um lobo solitário que não aspira outra coisa senão desaparecer. E o fará certamente. Em segredo, nas sombras, no submundo, o pai alcoólatra, a mãe senil, ele está em busca de uma jovem inocente. Seu tempo é a invisibilidade. Sua arma, um martelo. Cada trabalho exige precisão, orientações breves, conhecimento estratégico. E Joe é assim: O gelo, o silêncio, o medo.

O próprio filme é um martelo. É o vórtice dos porquês do mal, sutilmente enraizado em fatos e mistérios. Nessa miséria que parece devorar tudo, sem limites, ou qualquer moral. Então, Lynne Ramsay banha sua história em uma piscina, aonde é impossível nadar com a cabeça fora da água. O tom é irremediavelmente insano. Seu olhar é suspenso por um ódio cancerígeno, donde Joe desaparece, submerge, some completamente. A vida também. Para o espectador, não há qualquer outra possibilidade de fugir ou respirar. Apenas mergulhar nesse filme obscuro, nesse mundo donde tudo vale, e donde a única coisa que parece não importar é o outro, seja ele quem for. Um governador. Um Senador A própria mãe… sim, a vida, como sempre, é barata nos filmes Noir. Joe sabe.

Então, welcome to the jungle, às cicatrizes de guerra, aos traumas de infância, ao mundo nefasto. E tudo ao redor de Joaquin Phoenix, somente nele, todas as câmeras e olhares. A morte em seu caminho, pela noite, contando impiedosamente os minutos para seu destino. 25, 24, 23, 22… não há muito mais tempo. 21, 20, 19, 18… aos poucos sufocamos. 17, 16, 15, 14… não faça barulho. E além do horizonte de arranha céus, o abismo da alma humana, no qual o protagonista está sempre à beira prestes a cair, a morte ri e continua contando. 13, 12, 11, 10… não existe qualquer fuga, a trilha de Jonny Greenwood martelando os sentidos, a montagem de Joe Bini anulando cada toque de violência em favor do suspense, mas a contagem prossegue. 9, 8, 7, 6… Silêncio. Completo silêncio. O cérebro esmagado. A garganta cortada. Um lanche em família. Você está bem? Não, não estamos bem. 5, 4, 3, 2… o coração acelerado, a falta de ar, os tremores, a azia, o vazio. Não há nada mais a se fazer. Resta 1. Uma bala. A morte conta feliz, quer sua última vítima. Não importa. Ele já está morto. Ele nunca esteve realmente aqui…

RATING: 84/100

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CANNES · MARCHÉ DU FILM

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