120 Battements par Minute

120 BATTEMENTS PAR MINUTE


No auge da AIDS, isso nos anos 90, Robin Campillo filma 120 BATTEMENT PAR MINUTE, o ativismo, o esclarecimento, a luta para regularizar os primeiros medicamentos. E isso do começo ao fim, do contagio aos últimos minutos, quase num tom documental/panfletário. O faz pela causa, ele próprio gay, um membro da Act Up que a câmera segue com militância radical. Seu filme é a revolução contra a indiferença, o medo, o silêncio que se manifesta a cada vida que se vai. E é uma porrada porque incorpora o tema na tela, mostra o corpo doente, suas feridas, as debilidades, a pele definhando, o esqueleto surgindo. Até não haver mais batida. Nenhum respiro. Eis o fim.

É um filme sob controle. As regras são bem definidas. Os debates são moderados. Não há palmas, apenas estalar de dedos para não abafar as vozes. O processo, o protesto, o tempo e a energia, tudo é controlado, pensado metódica e democraticamente. É um filme de grupo, similar à ENTRE OS MUROS DA ESCOLA e POLISSIA, mas aqui, mais intenso, mais urgente, porque a doença, a contagem do vírus só cresce e extermina. É também um filme de efervescência, que explode na tela em apitos e cartazes, no sangue que mancha as paredes, as mãos do empresariado farmacêutico, a sociedade apática pelo preconceito ou impotência. Na natureza do discurso – médico ou político -, nesse esforço de empoderamento coletivo, há ainda as pessoas, gays, usuários de drogas, ex-prisioneiros e hemofílicos. Tantas histórias que o cineasta condensa em depoimentos, pequenos relatos, intenso debate, seja pela narrativa, a ação, o filme, não importa, a intenção é criar um resquício de empatia.

O filme termina com a eutanásia. Ou não, porque deixa a questão em aberto. Sabe-se, apenas, que em dado momento, nessa doença, no apartamento, na solidão, há um ponto de não retorno. De reclusão total. É uma questão de acabar com isso. É, também a última cena. Não há qualquer debate aqui. Não precisa. O rio segue seu curso. E com ele, saímos da sala de projeção atordoados.

RATING: 76/100

TRAILER

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CANNES · MIX BRASIL · REVIEW · TIFF

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