Un Beau Soleil Intérieur

UN BEAU SOLEIL INTÉRIEUR


Nua, Juliette Binoche inspira e expira. Nesse momento intenso, sob a luz branca, a pele branca, vemos um homem no vai e vem, rumo ao gozo que nunca acontece. Ela está entediada. Parece irritada. Não há qualquer orgasmo. Seu amante se vai triste e, com ele, um relacionamento complicado. Ela é charmosa, mas a esposa é extraordinária…

É, sim, uma pessoa solitária, extremamente carente, que troca de homens, que se cansa dos homens, que navega pelos corpos, em torno de Paris, em bares, apartamentos, no campo, nas galerias e restaurantes, indo e vindo de um amante para outro, de Xavier Beauvois à Philippe Katerine, de Laurent Grévill à Nicolas Duvauchelle, são vários. É quase um teatro, senão esquetes para diversas situações e atitudes. Em cada uma, no entanto, um eclipse fugaz que nos arrebata, o dessa melancólica atriz, seu olhar profundo, as maças do seu rosto, sua luz… há também o olhar iluminado de Claire Denis e, claro, UN BEAU SOLEIL INTÉRIEUR.

E é por esse Sol que vemos uma estrela melancólica, sem rota definida, orbitando pelos amores, os humores, o abismo de algo que acontece e se esvai. Ao seu redor, uma constelação de estrelas, em rotação, em translação, todos imersos nesse cosmos particular. São, afinal, cometas nos “fragmentos de um discurso amoroso”, que Roland Barthes escreveu em 1977 e que a cineasta moderniza, agora, no hoje, numa bela comedia romântica.

Seu filme é, no entanto, Binoche: Seu sorriso, suas lagrimas, essa loucura apaixonada pelo oficio e o personagem, o texto febril, a luz própria, o discurso depressivo de uma desilusão. Que Claire apenas filma, concedendo uma quantidade crescente de espaço para a linguagem. Os corpos. A escultura. Às vezes, maltratada. Às vezes, exagerada. Um pintura frágil. Um pouco kitsch.

Por fim, Gérard Depardieu surge em cena para a grande terapia, o bálsamo que consola as dores, cicatriza as feridas e define um novo amor, enquanto os fantasmas são citados um a um, literalmente na tela, nos créditos finais, num arrebatador (e divertido) diálogo. Tudo, afinal, está bem. Ficará bem. Happy end.

RATING: 77/100

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CANNES · REVIEW

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