Western

WESTERN


“Eu estou aqui para ganhar dinheiro”. E é assim que começa WESTERN, filme de Valeska Grisebach: No mais agreste, na terra de ninguém, no meio do nada, cortando lenha, com maquinários e tratores, desviando rios, devastando florestas, construindo estradas… São bandeirantes. Desbravadores. Renegados. O homem contra a natureza, o local contra o estrangeiro. É o faroeste selvagem, a bravata de um homem, seu cavalo branco, os longos horizontes nesse (velho) oeste (a longínqua Bulgária?).

Portanto, um cinema etnográfico, naturalista, minimalista, quase documental, emoldurado por velhos costumes e paradigmas, de conflitos e sexismos, de máfia e machismo. São homens numa terra estrangeira, intrusos no leste europeu. No coldre, apenas o senso de aventura, e isso diante dos preconceitos e desconfianças, as barreiras da linguagem e as diferentes culturas.

Na tela, o protagonista busca um consenso (talvez um cigarro). É um cowboy alemão num “faroeste chucrute” pós-moderno, numa terra dONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ, nem os estrangeiros, donde a ideia básica é “comer ou ser comido”. Um filme de poucos diálogos, sem roteiro pré-definido. A história seguindo seu rumo e, com ela, seguimos o protagonista, pelo embate ininteligível, lento, um pouco cansativo, entre o oriente e o ocidente, pela projeção afora num estudo de personagem e elenco. Pena que, um tanto obtuso: A cineasta improvisa seu filme, deixa os personagens soltos em seus afazeres e, dali, filma algo, um conflito, um affair, qualquer coisa. Falta um pouco de foco, diria (ou algo realmente para contar).

RATING: 63/100

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CANNES · MARCHÉ DU FILM

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