Mulheres do Século 20


Do céu, do oceano, do ano de meu nascimento, Mike Mills filma uma geração, as sensações, um verão, Annette Bening, o céu e as cidades, a música e os filmes e, afinal, todas as paixões que cercaram os anos 70 e 80. E o faz aos olhos de um jovem, cheio de significados, de dúvidas, as lembranças ecoando outros cinemas, BOYHOOD, A ÁRVORE DA VIDA, AMELIE POULAIN. Um filme que pulsa, que olha para trás, vê adiante e – sempre – enxerga essa atriz, suas rugas. A boêmia. A independência. A autenticidade…

Ha outras mulheres, no entanto, MULHERES DO SÉCULO 20, verdadeiros espíritos livres, ali, nesse filme, nessa era, nessa casa em ruínas, o forro caindo, a madeira carcomida, o gesso apodrecido, toda a poeira, e todo esse despertar, o sorriso de Elle Fanning, as neuroses de Greta Gerwig, o olhar de uma mãe e também a solidão. Porque cada uma está só. A casa reflete isso. O público sente. E longe dos homens, se esquivando, flertando, encenando, vemos tais mulheres emolduradas por esse (olhar) adolescente. São felizes? Não há respostas para essa pergunta. Elas estão vivas. Estão ali. É o suficiente. Por enquanto.

Uma mulher, na tela, Dorothea, na vida, Annette, seu cigarro, o jornal, o silêncio e o caos. Esse é o rock que se ouve e se vê. A psique de uma mãe, divorciada, vendo seu filho crescer, ela, nascida de tempos cinzas e tristes, ele, nascido de tempos áureos e felizes. Os dois sozinhos. E esse é o confronto, a história, o plano. Um filme, sim, sobre mulheres, mas na verdade, sobre ser homem, de como se tornar homem, por conta própria, nessa vida de mulheres.

Que Mills filma de forma ensolarada, tão bonito, tão íntimo. Ao centro, Annette, esse Sol que brilha, nos cega, nos encanta. E assim, embriagados dessa atriz, nos despedimos desse filme, uma lágrima no rosto, um voo no horizonte. Tal cena fica na cabeça, como em CASABLANCA ou numa canção de Sinatra e, sim, você deve se lembrar, como um beijo, um suspiro, ou o passar do tempo. “As time goes by”.

RATING: 75/100

TRAILER

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FILMES · ROTTERDAM

Comments

  • É interessante, não? Também achei uma excelente produção. Adoro os filmes de adolescência e juro que é meu gênero preferido. A historia está bem estruturada, passou as minhas expectativas, em sério é uma história super bonita e os personagens são as coisas mais fofas do mundo. É impossível não se deixar levar pelo ritmo da historia, a fotografia é impecável, ao igual que a edição. Considero que consegue o seu objetivo de nos informar e inclusive nos faz pensar sobre o tema. A crítica do filme é interessante, me ajudou a notar certos detalhes que passaram despercebidos na primeira vez que vi.

    Paulina Barbosa 23 de agosto de 2018 15:25 Responder
  • Muita gente apostava em Annette Bening para o Oscar, por causa deste filme, mas isso acabou não se confirmando. Particularmente, tenho muita curiosidade em assistir ao filme.

    Cinéfila por Natureza 2 de abril de 2017 15:05 Responder

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