El Bar

EL BAR


A inspiração vem do ASSALTO À 13ª DP, de John Carpenter, dO ANJO EXTERMINADOR, de Luis Buñuel, de tantos outros thrillers perturbadores, claustrofóbicos e frenéticos, mas nesse filme, de Álex de la Iglesia, tudo se resolve na mesa dEL BAR, entre quatro paredes, na esquizofrenia, na paranoia, no fim dos tempos e, naturalmente, no humor negro. E eis a armadilha, o filme-ratoeira de um cineasta que nos prende e, conosco, enclausura seus personagens, em 800 BALAS, tiros e frames, filmando todas AS BRUXAS (DE ZUGARRAMURDI?), ou senão A COMUNIDADE e seus estranho câncer.

E nesse bar, todos – personagens, público, cineasta – estão confinados: Ali, presos em sua própria consciência, aprisionados por tantos desejos e anseios, na BALADA DO AMOR E DO ÓDIO ou dentro de sua cabeça, vendo coisas, ouvindo coisas. Tic-tac, tic-tac, tic-tac, o inferno em cuco, em marcha, o cérebro dando tilt, filtrando a realidade ao seu gosto, enquanto a morte espreita, tão perto. Basta abrir a porta do banheiro. Não ousaria.

Desse experimento, donde a vida é um confinamento inexplicável cuja saída não podemos encontrar, donde o filme é uma série de circunstâncias errôneas ou pior, aleatórias, donde os personagens são nada e merecem o sacrifício, donde a porta está trancada e a chave perdida, é nesse momento, no fundo do poço, que finalmente se chega ao esgoto do problema. E ali, a arrogância, a cobiça, o desejo secreto de ser imortal que finalmente destrói. Todos lutam entre si, porque, eles próprios, são o problema… Isso chama-se humanidade. E, sim, é doentio.

Embora o filme não o seja porque o cineasta, como sempre, cria comédia da tragédia: E dessa pantomima, o disparate de violência, tantos atores e gênios, medos e receios, afinal o absurdo desse mundo, é desse argumento e do riso involuntário que o cineasta toma o espectador pela mão e adoça os sentidos com aquilo que enche qualquer fim de semana: De entretenimento frívolo e sem substância chamado cinema. E, sim, é extravagante, como sempre.

(*) Crônica livremente inspirada do material promocional cedido pela Film Factory, incluso notas de produção e entrevista com o diretor
RATING: 63/100

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BERLIM · REVIEW

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