The Other Side of Hope

THE OTHER SIDE OF HOPE


Duas pessoas, duas vidas e duas histórias em lados opostos: Um, com sua bolsa maltrapilha, abandona o navio. O outro arruma suas malas e deixa a esposa para fazer dinheiro. O primeiro, porque é um refugiado sírio de Alepo. O segundo porque é um empresário finlandês. Ele, Khaled (Sherwan Haji), pede asilo às autoridades, mas é negado e enfrentará a deportação. Ele, Wikström (Sakari Kuosmanen), tenta a sorte no pôquer, ganha, e, com o dinheiro, compra um restaurante. E após 40 minutos de projeção, os dois finalmente se encontram, no pátio, num soco e um nariz ensanguentado. E ambos, junto com a garçonete, o chef e seu cão, formarão uma utopia – uma daquelas comunidades típicas de Aki Kaurismäki – que demonstra que o mundo poderia (e deveria) ser um lugar melhor.

Então, de um cineasta conhecido pelo seu estilo lacônico, peculiar e minimalista; De tantos heróis, historias e fatos pequenos, quase sempre as desventuras de estranhos, trabalhadores e desempregados, senão os “loosers” da sociedade. Dali, vemos outro filme “underdog”, mas em escala global, ou senão a história daqueles que estão em fuga, sempre na sarjeta da hierarquia social e, sim, falamos dos refugiados nesse constante jogo de desejo e esperança, quase um conto de fadas de realismo frio.

Seu último filme, O PORTO, já abordava esses temas – a misericórdia, a compaixão e a solidariedade militante -, mas aqui, “do outro lado”, a retorica é mais cruel, visível e palpável: O que se ensaia na tela, sabemos, é extremamente tangível, todo o discurso, o desabafo de Khaled sobre sua irmã, seu passado, a guerra, os estereótipos e os preconceitos… Afinal o processo de desumanização que o diretor desconstrói para, depois, reconstruir num cinema de emergência e aceitação, mesmo que seja na velha cartilha de cores vivas e rostos sérios, melancolia e rock´n´roll.

O resultado, sem dúvida, é tendencioso, mas necessário em seu panfleto, na intenção de mudar os pontos de vista, as opiniões de seu público, manipulando a emoção para alcançar seu objetivo. Certo ou errado, valido ou não, o que fica é outro sentimento do espírito de uma época, de um tempo e dos rumos que a humanidade escolheu. Todo o ceticismo, a decepção, o desapontamento, afinal O OUTRO LADO DA ESPERANÇA que o cineasta filma, mas busca uma alternativa e, sim, parece promissora.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Pandora Film, incluso notas de produção e entrevista com o diretor
RATING: N/T

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BERLIM · PREVIEW

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