Beuys

BEUYS


BEUYS (2017)Um filme sobre Joseph BEUYS, o homem de chapéu, da manteiga e de “Fettecke”. Também um visionário, de amplo discurso e ideias, cuja “arte de explicar” se tornou renomada, seja na retorica que “o dinheiro não deve ser mercadoria” porque sabia que tal comércio minaria a democracia, seja no engenho artístico para “explicar fotografias para uma lebre morta”. Seu conceito de arte era uma bofetada e sempre um discurso socialmente relevante, e isso até hoje.

E é desse amplo portfolio, quase 20.000 fotos e 300 horas de fontes visuais e áudio, que Andreas Veiel cria seu documentário, um olhar íntimo sobre o ser humano, sua arte e seu mundo. Isso nos anos 70, 80. Um trabalho que ecoa como dinamite, que outrora foi interpretado como “restos de um canteiro de obras”, ou então apelidado como “o lixo doméstico mais caro de todos os tempos”, mas que hoje é profundamente relevante porque cada obra, ao seu tempo e seu modo uma anti-utopia, revolucionava o “livre pensar” e era defendido com energia inesgotável por seu autor em todas as suas vertentes: Ação, escultura, instalação, debates, vídeos, cartazes, e em cada canto, janela, objeto ou performance.

E o cineasta, por sua vez, descreve a vida de Beuys desde o nascimento até a morte, com (extenso) material de arquivo e sob uma abordagem aberta e associativa, cheia de enigmas e contradições, montagem e humor. E assim, camada após camada, através da vasta montanha de material, do corte áspero e cheio de cenas do artista e seus questionamentos persistente e subversivamente a martelar a martelar e a martelar, vemos uma rica revolução politica, social e essencialmente artística. Um slogan tão conciso, fácil e pungente que se agarra na retina, na mente e fica contigo, num grito, por muito tempo, mesmo depois dos créditos. E essa é a arte. De Beuys. De Veiel.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Beta Cinema, incluso notas de produção e entrevista com o diretor
RATING: N/T

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BERLIM · PREVIEW

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