Final Portrait

FINAL PORTRAIT


Na arte, Alberto Giacometti. Na tela, Geoffrey Rush… Dois artistas em seu tempo, vivendo a mesma pessoa, criador e criatura, escultor e escultura. O retrato imperfeito, senão o FINAL PORTRAIT de Stanley Tucci, uma visão única de beleza, frustração, profundidade e, às vezes, completamente caótico do processo artístico. Um esboço enfeitiçado de um gênio, e de uma amizade entre dois homens que são totalmente diferentes, mas cada vez mais ligados através de um único – e sempre em evolução – ato de criatividade. Um cinema que ilumina o processo artístico em si, por vezes estimulante, exasperante ou desconcertante, questionando se o dom de um grande artista é uma bênção ou uma maldição.

Não seria uma biografia em si, um resumo de (grandes) feitos ou eventos, mas um rascunho de personagens, a desconstrução de um artista, do pintor (Giacometti), do ator (Rush) e um diretor (Tucci), por e pela arte, em diferentes experiências e circunstâncias, duas semanas de criação e engenho, 90 minutos de projeção, de imersão no processo criativo, da relação do artista com seu trabalho e com a sociedade.

A ironia fica com Geoffrey Rush, a modelagem de sua interpretação, o músculo de sua transformação, o volume do seu rosto ampliado, os trejeitos, a técnica, a perfeição… disso, se cria uma pequena comedia indie, diria irresistível, charmosa em todos os aspectos sobre a arte de criar e interpretar, do livre pensar – de um filme, um roteiro, uma pintura -, a insatisfação, a fascinação, isso em Paris, nos anos 60 e, sim, cheio de licenças poéticas, é verdade, mas inteiramente honesto em suas paletas e propostas, alguns salpicos de cor, a luz crepuscular e um gênio que nunca, nunca, nunca para. E essa é a visão, o espirito do artista, também desse filme.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Riverstone Pictures, incluso notas de produção e entrevista com o diretor
RATING: N/T

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BERLIM · PREVIEW

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