A Criada

THE HANDMAID


Imerso pela SEDE DE SANGUE, pelos SEGREDOS DE SANGUE, pela trilha assombrosa que o liga a trilogia da vingança, idos primórdios de OLDBOY, Park Chan-wook vai ao covil de ladrões e criminosos, ao mais mesquinho, ao mais pornográfico, para ali, desabrochar sua flor do lodo, sua mãe enforcada, seu pai um qualquer, uma jovem curvada ao trabalho mais servil e também um golpe.

E nessa Coreia “Belle Époque” de muitas cores, enquadramentos e montagens, a simetria encenada em puro suspense, com tão pouco e tão visualmente impressionante, o cineasta vai entorpecendo nossa alma, de intriga, loucura e terror. Nessa grande casa. Nessas góticas paredes. Um jogo sinistro de sedução e imprevisíveis consequências. Então, nesse grande fetiche visual, entre bolas chinesas, marquês de Sade e um polvo sodomista, vemos um filme dividido em três partes e estilo. O golpe premeditado. O golpe consumado. O golpe de mestre. E voilá: A GAROTA EXEMPLAR descobre que, sim, AZUL É A COR MAIS QUENTE.

Então voltemos à casa de madeimoselle, às suas artimanhas e calabouços, ao seu estilo britânico e japonês, à sua biblioteca de livros raros. Em nome da roda, ali se guarda um segredo, ali se leem os segredos. O tabuleiro está posto, as peças estão em cursos. A dama, o conde e a camareira se movem num jogo de gato e rato, a câmera deslizando como uma acompanhante. O corte é preciso. Cirúrgico. Tudo é observação, manipulação e pontos de vista deturpados, senão o cenário perfeito para um thriller envolvente, uma história de prostitutas, um drama pontuado de reviravoltas surpreendentes e acima de tudo, uma história de amor.

RATING: 78/100

TRAILER

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CANNES · FILMES · MOSTRA SP · TIFF

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