Eu, Daniel Blake

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Do México, de Rodrigo Plá, já vimos essa história: A SOCIEDADE INDIFERENTE, esse monstro de mil cabeças que se alimenta e nos corroí com seu câncer. O quão Ken Loach vai além com sua denuncia, a historia de Daniel Blake é senão outro panfleto, outro cinema-denúncia de um problema universal. E no meio deste processo, também Katie, mãe solteira, duas crianças, outra órfã do Estado que também precisa passar pela burocracia para assegurar seus direitos. A PARTE DOS ANJOS, nosso cineasta não resiste, retorna às origens, à luta, à ROTA IRLANDESA e seus VENTOS DA LIBERDADE. Nada muda. Não nesse mundo.

Daniel Black é um cidadão. Nada mais, nada menos. Não é um numero do seguro social, um mendigo, um trapaceiro, um cliente ou usuário. Não é um cachorro. Daniel Black é uma pessoa e teve um ataque do coração. Incapaz de trabalhar, sem os benefícios de Estado aos quais tem direito, diante da burocracia sem fim, Loach filma sua história, uma história essencial de pessoas em busca do mais essencial: Sobreviver. E essencialmente Dave Johns. Na tela, o Daniel Black do título, viúvo, 59 anos, carpinteiro, extremamente honesto e bem-humorado. Um homem que serviu ao seu tempo e não serve mais. E pelo qual orbitam o coração desse filme, metáfora e literalmente. Um ator que se reveste de carisma para decidir o que é mais importante nessa vida: Casa, comida ou calor? Basicamente o essencial. O mais elementar, mas que muitos nesse país romanceado não têm. Apesar dos impostos. Apesar dos formulários. As exigências são infinitas. O benefício é impossível. Não há possibilidades.

Sim, os personagens são fictícios, mas a história, tantos episódios que norteiam esse filme, são incrivelmente reais. A cena do Banco de Alimentos, por exemplo, é impressionante. Simplesmente comovente. Há tantas outras, centenas, milhares, promessas de descaso, humilhação e ineficiência. tudo filmado da forma mais clássica possível porque o protagonista e seu bullying social, o argumento e seu panfleto dispensam quaisquer outros artifícios cinematográficos. E curiosamente o mesmo argumento de CATHY COME HOME, 50 anos depois de seu lançamento. Sim, os tempos mudaram, a miséria permanece, o cinema registra. E resta a pergunta: O que fizemos sobre isso? O que faremos sobre isso?

RATING: 76/100

TRAILER

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CANNES · FILMES · LOCARNO · RIO · SAN SEBASTIAN · TIFF

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