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E novamente André Haigh fala de relacionamentos… Não aquele entre um homem e uma mulher que perdura por 45 ANOS; Nem aquele entre dois homens, tão passageiro que dura apenas 48 horas (ou um WEEKEND), mas os anseios, os desejos, senão a tentativa de se arriscar ao primeiro passo, ali, diante do amor, dos amores, dos encontros e desencontros. E isso em São Francisco, num universo gay, extremamente familiar e aconchegante, entre amigos, em casa, com diálogos afiados, espirituosos, improvisados, quase num flerte com “Friends”.

E dessa série, vemos uma historia narrada com naturalismo, um pouco de ternura e muita estética indie. Um spin-off das alegrias da atração e descoberta que transcende qualquer preferência sexual. E ao diretor, coube o trabalho de apenas filmar essa intimidade, suas descobertas sexuais, sua correspondência emocional, tudo de forma orgânica, nova, iluminada. Nunca polêmico pelo que se mostra na cama, mas ao mesmo tempo, sexy, intransigente, agitado. Há química entre os atores, nada afetado, superficial ou caricato. Apenas amizade, conversas, flertes e paixões.

E assim, vemos a celebração de uma cidade, das pessoas, dessa amizade, de um homem que retorna em desonra, como dama de desonra, cheio de fantasmas e culpa e isso depois de 9 meses, quando fugiu do homem que amava, ou achava amá-lo, sem adeus ou desculpas, apenas com a dita “coragem” de fazê-lo (ou não, porque tudo parece na verdade um sinal de covardia). Desse retorno, se desenha um seriado, um café filosófico, uma balada melancólica, uma dramedia romântica que só cresce, amadurece em intensidade, em intimidade, na memória, em nossos corações. O que acontece com esses homens fica na imaginação. Talvez seja um conto de fadas, talvez apenas o primeiro capítulo de umas bodas de rubi. Não sabemos. O fato é que foram horas maravilhosas. Entre eles. Conosco.

RATING: 70/100

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MIX BRASIL · REVIEW

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