Depois da Tempestade

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DEPOIS DA TEMPESTADE, ou quando Hirokazu Kore-eda se for, longe de PAIS E FILHOS, de NOSSA IRMÃ MAIS NOVA, de seus fãs em lagrimas, ali, DEPOIS DA VIDA e diante de Deus ou qualquer outro juiz celestial, nesse juízo final, quando lhe perguntarem “O que você fez na Terra?” o cineasta certamente apresentará esse filme. “Isso é O QUE EU MAIS DESEJO”, nos diz o cineasta. Esse é seu legado. Seu filme-testamento.

Tal concepção se constrói desde décadas passadas, logo depois que seu pai morreu e sua mãe passou a viver sozinha em um conjunto habitacional. Dali, o diretor no lento escavar de seus pensamentos, criou uma sinopse e outro papel memorável para Kirin Kiki. E ali, na velha cozinha abarrotada de coisinhas, entre os armários entulhados de papeis, a geladeira cheia de bolos e sorvetes caseiros, na mesa do chá e diante das plantinhas na varanda, se conta uma historia e se revive um passado.

E eis o brilho eterno de um Kore-eda cheio de lembranças: “A caminhada através do complexo de edifícios, pela grama que se torna verdejante na manhã após o tufão. Das memórias de criança em busca dos ramos caídos das árvores caídas, o diretor lembra-se o quão belo tudo se torna depois da tempestade”. E assim filma… E filma suas historias mescladas com a de uma família fictícia, de um pai que queria ser romancista, mas não o é. Tão pouco é pai porque seu filho está longe, fruto de um casamento mal sucedido. E nesse jogo de azar, dito vida, tudo se desenrola para a tal tempestade.

“Não era para ser assim”. Nunca é. Mas dentre os fracassos e os sucessos, os arrependimentos e a persistência de seus personagens, Koreeda filma a vida como ela realmente é e lhe adorna de poesia, de luz, de pequenos simbolismos. Filma adultos como crianças, isso no sentido mais belo da pureza e da fantasia. E nos encanta, como sempre.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela Wild Bunch, incluso notas do diretor
RATING: 76/100

TRAILER

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CANNES · FILMES · MOSTRA SP · SAN SEBASTIAN · TIFF

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