Wiener-Dog

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Eis a saga de um cachorro salsicha sob o olhar de um dos diretores mais indigestos e indomáveis do cenário mundial. Um filme, cujo título e protagonismo cabe à uma cadelinha Dachsund, mas, na verdade, fala sobre o homem, sua natureza, a relação com o mundo e a comunidade. E isso filmado sem qualquer esforço, sem peripécias ou efeitos, montagem ou cenários. Apenas a história, atores e melodrama, um punhado de desajustados em situações absurdas, um flerte ao politicamente incorreto, ao mais maçante e caustico dessa sociedade (americana). E voilá: Um cânone de humilhações e maus tratos, o descaso, o desprezo, a indiferença, tantos traumas e sofrimentos. E tudo personificado nesse cãozinho e suas desventuras.

Um mundo tão solitário e cruel, selvagem e triste. E incomodo. E sórdido. E provocativo. E depressivo. Como um elefante muito gordo se afogando em um mar de desespero. Como uma criança aprisionada em uma apática gaiola de ouro. Como a enfermeira nessa vã esperança de se relacionar com alguém, ou o velho professor apegado ao seu medíocre roteiro. E se? E então? Não há “ses”. Nem “então”. Não há história. Simples assim. E se você ficasse trancado em sua casa? E se a sua namorada traísse você? E se você ganhasse na loteria? É se você tivesse estudado Arte? E se você tivesse se casado com seu grande amor? Ou perdoado a sua mãe? Ou tivesse bondade suficiente para a sua filha? Ignorado as falhas dos outros? E se você não tivesse desistido da vida? Então, talvez, houvesse uma história. Mesmo para esses personagens tão domesticados, castrados, sem qualquer livre-arbítrio.

O cachorro que, em tese, espalha alegria e felicidade por onde passa, aqui pouco tem a fazer. É “Caquinha”, é “Câncer”, é o desconforto para essas pessoas feias em sua tragicomédia Noir. Dói? Não dói. Na verdade, é muito rápido. Quase indolor. Eles podem escolher? Não podem. E se fossem diferentes? Não são! Eles não pensam dessa maneira. Eles simplesmente não pensam. São apenas cães. Não tem sentimentos. São indiferentes. São animais. Vira-latas morrendo aos pouquinhos.

RATING: 67/100

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MARCHÉ DU FILM · RIO · SAN SEBASTIAN · SUNDANCE

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