A Vida de uma Mulher

UNE VIE


Um ano depois de nos (des)encantar com O VALOR DE UM HOMEM, Stéphane Brizé nos apresenta, agora, a vida de uma mulher, senão os desamores da jovem Jeanne, do séc. XIX, cheia de sonhos infantis e inocência. E embora os dois títulos estejam muito longe no tempo e no desemprego, é evidente como as obras se conversam pelo forte idealismo de seus protagonistas, antes com as continuas recusas do Thierry de Vincent Lindon, agora com a extrema confiança da Jeanne de Judith Chemla.

Então, confinada pela tela, Jeanne entra pelo filme, pela vida adulta, como advinda do paraíso. Dali, sua vida embarca num aparente conto de fadas, num belo casamento, talvez num momento de perfeição e, conforme a projeção avança, a moça envelhece, os ideais vão adquirindo novas nuances, as pessoas se revelam num desencanto, tão mesquinhas e egoístas, donde outras pessoas certamente manteriam distância. Donde Vincent Lindon certamente se recusaria a enfrentar, aqui, a jovem não quer, não pode ou não sabe como enfrentar. Isso faz dela uma pessoa excepcional (literalmente). Certamente a torna numa pessoa maravilhosa, mas também a condena.

E desse conto de Guy de Maupassant, a estrutura tão imponente, a narrativa tão influente, tudo transitando entre o Romantismo e o Realismo Francês, pelas estações – a praia, o campo, o parque, a horta – uma historia de amor e adultério, crime e castigo, vida e morte, presente e passado, vemos afinal Judith Chemla em seu pleno oficio, uma relação muito intensa com tudo ao seu redor, o enquadramento estreito, a câmera orgânica, o piano melancólico, os dissabores do filme. Ela vê o que os outros não enxergam e sente que os outros não expressam. Enquanto protagonista é extremamente verdadeira, diria mesmerizante, e o filme se torna estritamente seu ponto de vista. Extremamente seu. Afinal, sua vida.

(*) Crônica livremente inspirada do material cedido pela MK2, incluindo a entrevista com o diretor
RATING: 77/100

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MARCHÉ DU FILM · RIO · VENEZA

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