O Cidadão Ilustre

EL CIUDADANO ILUSTRE


EL CIUDADANO ILUSTRE expõe vários debates contemporâneos: Um deles é a rejeição ao externo, perspectiva crítica que o personagem principal, um escritor que viveu fora de seu país por décadas, representa para seus compatriotas e sua posição nacionalista. Então, para este escritor cosmopolita, seu estilo de vida, sua tranquila cidade natal e sua exaltação aos costumes locais, tudo implica numa completa rejeição. Adicione a este conflito, o orgulho ferido argentino, um país de grandes escritores, mas sem nenhum ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. O filme, portanto, ocupa este assunto e limpa essa dívida com o protagonista que obtém, ao menos na ficção, tal honraria outrora negada à Jorge Luis Borges, Julio Cortázar ou Rodolfo Walsh, por exemplo.

E é na tela que Oscar Martínez encarna, ao mesmo tempo, a dualidade entre o orgulho de se tornar “ilustre” em sua cidade natal, como uma figura reconhecida internacionalmente, e a negação crescente que irá se revelar nos próprios cidadãos, a princípio tão fascinados por tal honraria, mas, à medida que assimilam a ideia – como aconteceu com tantos outros artistas -, logo tal fascínio se transformando em desprezo, conforme se conhece mais e mais o personagem, sua mente e suas posições e, claro, seus romances que versam de forma crítica a vida do pequeno vilarejo de Salas. Sim, parece que “nenhum homem é profeta de sua própria terra”

Um conto de costumes, um retorno triunfal, uma viagem ao passado, ao longe, donde se pode reunir com velhos amigos, velhos amores, pelas paisagens da juventude, o desfile em carro de bombeiro, a estátua na praça, mas acima de tudo, uma viagem ao coração da literatura e seus “ilustres” personagens, inclusive os mais humanos.

(*) Crônica livremente inspirada das Notas de Produção
RATING: N/T

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PREVIEW · RIO · VENEZA

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