Demônio de Neon

THE NEON DEMON

THE NEON DEMON (2016)Nasce uma estrela… E entre o céu e o inferno, entre os adoráveis anjos e impetuosos demônios, Elle Fanning desfila pela tela, pelo submundo da moda, pelo prêt-à-porter, o chiaroescuro, o mais pérfido, sórdido e selvagem de dois mundos, o dia e a noite, o belo e o feio, o inevitável e o improvável. A projeção noir em vermelhos, azuis e glitter, de cinema feroz e fetichista, de fusão enfática e intransigente, de sons e atmosfera generalizada… Tudo nos remete à grife cinematográfica de Nicolas Winding Refn – incluso VALHALLA RISING e BRONSON, DRIVE e SÓ DEUS PERDOA -, sim, um dejá vù por tal sensação (e encenação) de fluidez. E esse é o perigo ou os demônios desse cineasta: Requentar, reciclar, reinventar. E tudo novo de novo.

E agora num delicioso Pleasure Guilty, donde se evoca Alejandro Jodorowsky (A MONTANHA SAGRADA), Hitchcock (PSICOSE, VERTIGO), Darren Aronofsky (CISNE NEGRO) e Jonathan Glazer (SOB A PELE). Há mais… coloque nesse liquidificador ainda uma pitada de Vogue e vampiros, necrofilia e canibalismo e voilà: Um dos filmes mais bizarros e deliciosos de Cannes, senão uma clara exaltação ao belo, ao prazer puro de ver, ao fetiche que se revela nos manequins de cera, nO VALE DAS BONECAS, nos flashs prateados por tais mulheres andróginas e biônicas, pelo rosto angelical da protagonista, tão pura e tão demoníaca. Todos os rostos a se voltarem para ela, todos os desejos, o ciúme, a inveja. Tudo se curva diante desse anjo. Outros estão desesperados para roubar-lhe a beleza. O demônio desperta …

E por tal obsessão, o filme aos poucos se torna mais louco. Deliciosamente delirante. Se na mitologia grega, Narciso, de tão apaixonado por sua beleza, cai no lago e acaba se afogando em seu próprio reflexo. Aqui, o patinho feio se torna um CISNE NEGRO, um verdadeiro diamante num mar de vidro. Para ali deslumbrar. Para ali perecer. E esse é o poder de um filme que nos devora literalmente. Até os olhos.

RATING: 79/100

TRAILER

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CANNES · FILMES

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