Café Society

CAFE SOCIETY

No CREPÚSCULO DOS DEUSES, Woody Allen filma uma ensolarada Hollywood, seu charme, seu glamour, seus gangsteres e sindicatos, seus playboys e comunistas, e claro, suas neuroses encarnadas em um jovem (Jesse Eisenberg) que chega nessa terra dos sonhos com a esperança de trabalhar na indústria cinematográfica. E lá, como em qualquer outra comédia romântica, se apaixonar pela amante do chefe, ouvir jazz, e bebericar beijinhos e abraços na vibrante ‘café society’ da época.

Então, vemos na tela um conto simples, mil vezes narrado e filmado, mas aqui embalado no classicismo de um autor que se aventura pela MAGIA AO LUAR, por MEIA NOITE EM PARIS e, agora, no tapete vermelho de Cannes, em sua abertura dourada, aos pés de Michel Piccoli e da imensidão da Côte d’Azur. E nesse cenário grandiloquente, diante da magnificência do tecnicolor, idos anos 30, entre drinks e Martinis, Fred Astaire e Ginger Rogers, Greta Garbo e Clark Gable, a câmera passeando pela Belle Époque, pela Belle Nouvelle, o piano vigoroso que margeia essa festa nas gloriosas piscinas, a era dourada, os grandes estúdios, os jantares dançantes, vemos enfim um filme de amores e desamores, encontros e desencontros.

Porque, sim, a vida é uma comédia, sabemos, mas também lhe prega peças (e um pouco de melancolia): E nesse tour pelas estrelas, a cabeça nas estrelas, tantas estrelas em referência, vemos Eisenberg encarnar a persona de Woody, aquele mesmo jovem dos anos 70, neurótico, nervoso, seus trejeitos e basicamente seus maiores amores. Falo de Hollywood, de Manhattan, e também das mulheres. Isso filmado em pequenos esquetes, uma festa, um encontro, um episódio aqui, outro acolá, o romance se desenhando, os personagens se avolumando e tudo costurado pelas deliciosas gags de um roteirista, seus diálogos fascinantes, uma piada, uma aventura, um galanteio.

Nessa orquestração, tantos smokings e vestidos, coquetes e Charleston, a projeção revestida de Cocoanut Grove e Trocadero, as roupas leves, o texto idem, o cineasta esboça uma época idealizada, romantizada. Tão ingênuo como outrora. E de novo. Déjà-vu.

RATING: 69/100

TRAILER

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CANNES · FILMES

Comments

  • Ainda não assisti a “Café Society”. Devo conferir nesta semana e estou com boas expectativas em relação à obra.

    Cinéfila por Natureza 27 de agosto de 2016 22:40 Responder

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